Obituários na tradução: um estudo baseado em corpus

Rozane Rodrigues Rebechi, Marcia Moura da Silva

Resumo


Mais cedo ou mais tarde, a morte afetará todas as pessoas, em todos os lugares. No entanto, essa dura realidade é enfrentada de formas diferentes em culturas distintas. Os obituários podem ajudar a revelar algumas dessas diferenças e seu impacto para a tradução (LOOCK & AMP; LEFEBVRE-SCODELLER, 2014). Usando a Linguística de Corpus como metodologia (BAKER, 1993; LAVIOSA, 2002; McENERY & AMP; HARDIE, 2012; PHILIP, 2009; ZANETTIN, 2012), investigamos se e até que ponto um corpus comparável de obituários em inglês estadunidense e em português brasileiro pode ajudar na tarefa de conscientizar os aprendizes sobre as peculiaridades culturais observadas em um mesmo gênero textual escrito em diferentes idiomas, e suas consequências para a identificação de equivalentes. Para atingir nossos objetivos, selecionamos textos publicados em jornais brasileiros e estadunidenses entre 2015 e 2017. Apesar de abordarem um assunto cotidiano, os obituários são pouco explorados academicamente. No entanto, essa negligência não é proporcional nos dois países, e resulta da popularidade do gênero. Enquanto nos Estados Unidos os obituários são lidos regularmente, no Brasil eles são raros, quase exclusivamente dedicados a falecidos famosos. Análises qualitativas e quantitativas mostraram que a ausência de termos em português se deve a diferenças culturais que permeiam o tema, e que a falta de familiaridade com o gênero, além das peculiaridades dos rituais praticados nos dois países / culturas, pode ajudar a explicar as dificuldades enfrentadas pelos aprendizes brasileiros na tarefa de traduzir obituários estadunidenses para o português brasileiro.

Palavras-chave


Obituário; Nota de falecimento; Linguística de corpus; Treinamento de tradutor

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2018v38n3p298



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.