Tradução, interações e cosmologias Africanas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2019v39nespp65

Palavras-chave:

Traduzir, Interações, Cosmologias Bantu, Transmutação

Resumo

Aspira-se, neste texto, a que se partilhem reflexões em torno de outras possibilidades para se pensar o traduzir, tendo como base a ideia de interação (desenvolvida pelo escritor-pensador Zamenga B.), à luz de determinadas cosmologias negro-africanas, marcadamente, bantu.
Vetores de força de pensares africanos — alguns fundamentais trazidos à tona, na contemporaneidade, por Bunseki Fu-Kiau — ancoram uma análise acerca da ação tradutória, a qual, necessariamente, nesse contexto, não se atém à dimensão mais conhecida como interlinguística. Trata-se de uma dimensão ontológica do traduzir sempre em movimento. Destarte, tal ação, ao representar um relevante acontecimento de interação bantu-africana, figura, geralmente, a transmutação de uma forma-estado de ser noutra forma-estado de ser.

Biografia do Autor

Tiganá Santana, Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo

Pós-doutorando no Instituto de Estudos Brasileiros/USP, doutor em Letras pelo Programa de Estudos da Tradução do Departamento de Letras Modernas da mesma universidade (USP) e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Suas pesquisas voltam-se, principalmente, para as línguas, linguagens e cosmologias africanas, com ênfase nas línguas-cultura bantu - destaque-se a civilização dos bakongo -, estabelecendo-se os cruzamentos entre tais chaves de pensamento e aquelas provenientes de outras experiências culturais de existência não ocidentais e ocidentais. É tradutor e tem experiência na área de Artes, notadamente, composição e performance musicais, Literatura e Curadoria Artística. No âmbito dos Estudos da Tradução, direciona-se à investigação intersemiótica, sobretudo, no que tange a distintas linguagens artísticas e a distintas cosmovisões, tendo como base constante referenciais teóricos afrocentrados em diálogo com outros modos, paradigmas e correntes de pensamento e expressão, tais como alguns ameríndios. Possui pesquisas em torno de pensadores africanos como Bunseki Fu-Kiau, Zamenga B. e Sophie Oluwole. Foi o primeiro compositor da história fonográfica brasileira a apresentar, como compositor (e intérprete), um álbum musical com obras em línguas africanas.

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Publicado

2019-12-19