Infância como prioridade e cuidado como contradição: desenvolvimento infantil, socialização de gênero e economia política da sobrecarga materna

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e111072

Palavras-chave:

Infância, Socialização de gênero, Economia do cuidado, Reprodução social, Políticas públicas

Resumo

Este artigo analisa a produção social da sobrecarga materna a partir da articulação entre a sociologia da infância, a teoria do apego e a economia política do cuidado. Sustenta-se que a centralidade contemporânea do vínculo no desenvolvimento infantil, amplamente respaldada por evidências da psicologia e da neurobiologia relacional, não foi acompanhada por uma reorganização estrutural das condições materiais do cuidado. Argumenta-se que a maternidade intensiva não emerge apenas como ideal cultural, mas como efeito de uma contradição estrutural: a infância é afirmada como prioridade absoluta enquanto o trabalho reprodutivo permanece privado, feminizado e racialmente hierarquizado, tensionando discurso e prática. O artigo discute, ainda, que a sobrecarga materna é construída desde a infância, por meio de processos de socialização diferenciados entre meninas e meninos, que produzem disposições desiguais para o cuidado. Sustenta-se que a proteção efetiva da infância exige a democratização estrutural do cuidado, articulando redistribuição material e justiça social de gênero, raça e geração.

Biografia do Autor

Enne Moreira Lima Soares Thomé, Universidade Federal do Maranhão

Profissional com formação interdisciplinar. Mestre em Ciências Sociais, com trajetória consolidada na interface entre educação, políticas públicas e desenvolvimento humano. Possui graduação em História (licenciatura) e ampla experiência em projetos de formação docente, mediação cultural e educação patrimonial, com ênfase nas relações entre memória coletiva, território e práticas educativas. Ao longo da carreira, atuou em instituições públicas estatais. Nos últimos anos, expandiu sua área de atuação para o campo da Parentalidade Positiva e das Neurociências aplicadas à infância, tornando-se pós graduada em Educação Parental e Neurociência da Infância; certificada em abordagens contemporâneas de desenvolvimento infantil, regulação emocional e políticas públicas da infância. Atua como Educadora Parental, palestrante e formadora, desenvolvendo programas, oficinas e eventos fundamentados em autores de referência em órgãos públicos e escolas particulares. Atua como pesquisadora independente nas áreas de políticas públicas, infância, parentalidade, violência baseada em gênero, cuidado, sociabilidade e cultura. Mantém interesse em temas como ACEs, teoria polivagal, trauma relacional, ética do cuidado, maternidade contemporânea e interfaces entre saude mental.,educacao e proteção social. Autora do livro A criança que me guia: vivencias e fundamentos de uma Parentalidade positiva.

Thiago Pereira Lima, Universidade Federal do Maranhão

Doutor em Políticas Públicas pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas (Conceito 7), Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mestre em Ciências Sociais, pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, UFMA. Especialista em Meio Ambiente e Recursos Aquáticos pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Graduado em Geografia pela UFMA e em História pela UEMA. Cursa Ciências Sociais - bacharelado na UEMA. É professor adjunto em regime de dedicação exclusiva da Universidade Federal do Maranhão - Centro de Ciências de São Bernardo - do Curso de Licenciatura em Ciências Humanas/Sociologia. É professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas Sociais, Conexões Artísticas e Saberes Locais, da Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências de São Bernardo (PPGDCS/CCSB/UFMA). Principais temas de interesse: História do pensamento geográfico e Epistemologias da Geografia, Ensino de Geografia, Estudos Feministas e de Gênero, Tráfico de Mulheres, Estado, Políticas Públicas e Movimentos Sociais e estudos sobre Meio Ambiente, Desenvolvimento e Conflitos Ambientais. 

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Publicado

2026-10-13

Edição

Seção

Dossiê: Maternidades (im) possíveis: educar, cuidar e transbordar afetos em devir-infâncias de direitos!