Infância como prioridade e cuidado como contradição: desenvolvimento infantil, socialização de gênero e economia política da sobrecarga materna
DOI:
https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e111072Palabras clave:
Infância, Socialização de gênero, Economia do cuidado, Reprodução social, Políticas públicasResumen
Este artigo analisa a produção social da sobrecarga materna a partir da articulação entre a sociologia da infância, a teoria do apego e a economia política do cuidado. Sustenta-se que a centralidade contemporânea do vínculo no desenvolvimento infantil, amplamente respaldada por evidências da psicologia e da neurobiologia relacional, não foi acompanhada por uma reorganização estrutural das condições materiais do cuidado. Argumenta-se que a maternidade intensiva não emerge apenas como ideal cultural, mas como efeito de uma contradição estrutural: a infância é afirmada como prioridade absoluta enquanto o trabalho reprodutivo permanece privado, feminizado e racialmente hierarquizado, tensionando discurso e prática. O artigo discute, ainda, que a sobrecarga materna é construída desde a infância, por meio de processos de socialização diferenciados entre meninas e meninos, que produzem disposições desiguais para o cuidado. Sustenta-se que a proteção efetiva da infância exige a democratização estrutural do cuidado, articulando redistribuição material e justiça social de gênero, raça e geração.
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