A infância e o direito de brincar: da didatização do lúdico à expressão livre das crianças

Raquel Franco Ferronato, Luciane Guimarães Batistella Bianchini, Patrícia Alzira Proscêncio

Resumo


Este artigo integra os estudos teóricos realizados pelo grupo de pesquisadores participantes do projeto “Estudo do perfil das brinquedotecas em Centros Municipais de Educação Infantil brasileiros”. Trata-se de pesquisa bibliográfica e documental a partir das orientações legais sobre a infância e o direito de brincar (BRASIL, 1990, BRASIL, 2005, BRASIL, 2005) e literatura da educação infantil (SANTOS, 2000; POSTMAN, 2002; DAHLBERG; MOSS; PENCE, 2003; FRIEDMAN, 2005; KRAMER, 2007), dentre outros. O estudo direcionou-se à infância e ao direito de brincar e a análise possibilitou compreender que, ao mesmo tempo em que a concepção de infância modificou-se nos documentos legais reconhecendo-a enquanto sujeito histórico, social e cidadã, o direito de brincar também assumiu novos sentidos, como o de essencialidade das expressões infantis. No entanto, cabe considerar que nem sempre tal expressão encontra livre espaço na escola, decorrendo em desafios e busca por processos formativos que possibilitem a compreensão sobre o lugar do brincar na escola, não apenas enquanto atividade pedagógica, mas como linguagem e expressão livre da criança que aprende e se desenvolve.


Palavras-chave


Educação infantil; Legislação; Direito de brincar

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DOI: https://doi.org/10.5007/1980-4512.2017v19n36p445

Zero-a-Seis, ISSN 1980-4512 Florianópolis, Brasil.