Maternidade impossível em cheia crescente
DOI:
https://doi.org/10.5007/1980-4512.2026.e111070Palavras-chave:
Maternidade, Feminismos, Arte, PolíticaResumo
Este artigo investiga a maternidade a partir do espetáculo teatral Cheia Crescente, articulando experiência gestacional, criação artística e reflexão teórica feminista. Criado e apresentado durante uma gestação, o espetáculo constitui o ponto de partida para pensar a experiência materna como lugar de saber. Em diálogo com autoras como Silvia Federici, Vera Iaconelli, Julia Kristeva, Rita Segato e Iris Young, problematiza a naturalização do instinto materno, a romantização do sacrifício e a invisibilização do trabalho reprodutivo. A partir da dramaturgia e de imagens e cenas do espetáculo, discute a gestação como experiência corporal, ambivalente e politicamente regulada, bem como as desigualdades que atravessam a organização social do cuidado. Ao integrar arte, corpo e pensamento, o texto propõe a maternidade como campo de disputa simbólica, política e existencial.
Referências
COCCIA, Emanuele. Metamorfoses. Tradução de Madeleine Deschamps e Victoria Mouawad. Rio de Janeiro: Dantes Editora, 2020.
FEDERICI, Silvia. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. Tradução do Coletivo Sycorax. São Paulo: Elefante, 2017.
GEBARA, Ivone. O que é teologia feminista? 1. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 2017. E-book.
GEBARA, Ivone. A Teologia da Libertação e as mulheres. Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 23, 2020.
IACONELLI, Vera. Mal-estar na maternidade: do infanticídio à função materna. 2012. [n] f. Tese (Doutorado em Psicologia) - Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
IACONELLI, Vera. Manifesto antimaternalista: psicanálise e políticas da reprodução. São Paulo: Zahar, 2023.
KRISTEVA, Julia. Stabat Mater. In: KRISTEVA, Julia. Histórias de amor. Tradução: Leda Tenório da Motta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
SEGATO, Laura Rita. Qué es un feminicídio: notas para un debate emergente. Brasília: Universidade de Brasília, Departamento de Antropologia, 2006.
SEGATO, Laura Rita. Las nuevas formas de la guerra y el cuerpo de las mujeres. 1. Ed. Puebla: Pez en el árbol, 2014.
YOUNG, Iris Marion. Pregnant embodiment: subjectivity and alienation. In: YOUNG, Iris Marion. Throwing Like a Girl and Other Essays. Oxford: Oxford University Press, 2005.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Angelene Lazzareti

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
As pessoas autoras cedem à revista Zero-a-Seis os direitos exclusivos de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Esta licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, atribuindo o devido crédito de autoria e publicação inicial neste periódico.
As pessoas autoras têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada neste periódico (ex.: publicar em repositório institucional, em site pessoal, publicar uma tradução, ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial neste periódico.
