CFP: Edição temática: Escritas de Vida

2020-08-12

Embora os primeiros usos do termo “life writing” em inglês serem registrados ainda no século XVII como tradução bastante direta do grego “bios” e “graphein”, devemos muito do atual entendimento do conceito de “escritas de vida” à Virginia Woolf e seu ensaio autobiográfico Um esboço do passado – escrito em 1939 e publicado pela primeira vez no Brasil em 2020 em tradução de Ana Carolina Mesquita. Diferentemente de seu uso histórico como sinônimo de “biografia”, depois de não somente Woolf e Lytton Strachey na Grã-Bretanha, assim como na literatura norte-americana com Gertrude Stein e Vladimir Nabokov e, também na Irlanda, com Edmund Gosse e W.B. Yeats na Irlanda, para citar somente alguns, “life writing” como escritas de vida passou a abarcar uma série de gêneros textuais e formatos, cruzando diversas mídias e que busca representar uma única vida ou múltiplas vidas. De acordo com Margaretta Jolly, o conceito adquiriu “ampla aceitação acadêmica desde os anos 1980” por conta de sua “abertura e inclusividade capaz de atravessar vários gêneros e porque abarca a escrita não somente da própria vida, mas da vida de outros” (ix).

Para esta edição temática de Ilha do Desterro, adota-se uma postura ampla e inclusiva do conceito de escritas de vida e consideram-se artigos que lidem com vários tipos de texto, amplamente conceituado: auto/biografias, cartas, memórias e/ou diários, todos formam um corpus relevante para estudo. Estamos também interessadas em textos que talvez não tenham sido publicados contemporaneamente ou circulados em larga escala, já que, por exemplo, isso abre “o caminho para o estudo, em particular, de uma gama de escritas de mulheres de períodos anteriores e para o reconhecimento da significância de escritas ‘pessoais’ ou ‘privadas’, incluindo memórias de família e diários” (Marcus, 2019, p. 2). Nesta edição trans- e multidisciplinar de Ilha são bem-vindos, portanto, artigos abordando gêneros e formas literárias, interarte e intermodais de escritas de vida, em contextos anglófonos ou a partir de leituras comparativistas, incluindo:

  • Escritas de vida e ética: verdade, mediação e pacto
  • Projetos colaborativos nas escritas de vida
  • Escritas de vida nos movimentos das diásporas, migração e deslocação
  • Vidas (não mais) obscuras: representação e interseccionalidade por meio de disability studies, estudos queer, estudos críticos da raça/cor e a escrita das vidas das mulheres
  • Escrevendo vidas não-humanas: escritas de vidas na natureza, dos animais, da terra, de objetos e lugares
  • Vidas perambulantes em escritas de viagem
  • Abordagens históricas, teóricas e comparativas das escritas de vida
  • As estéticas e retóricas das escritas de vida
  • O papel do arquivo nas escritas de vida
  • Novas plataformas das escritas de vida no século XXI, incluindo mídias sociais.

 

Para informações sobre como formatar, diretrizes para autores e envio de proposta on-line, consulte: https://periodicos.ufsc.br/index.php/desterro/about/submissions

 

Prazo:

Submissão de artigos até 1 de dezembro de 2020

 

Em caso de dúvidas, contate as editoras:

Maria Rita Drumond Viana, UFSC – m.rita.viana@ufsc.br

Renata Dalmaso, UNIFESSPA – rldalmaso@unifesspa.edu.br

Juliana Borges Oliveira de Morais, UFSJ – jubmorais@ufsj.edu.br