Reivindicar o direito à cidade: cooperação, ocupação, comunidade

Autores

  • Rafaela Scardino Universidade Federal do Espírito Santo

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2017v70n1p61

Palavras-chave:

Paul Auster, Cooperação, Squatting, Sunset Park

Resumo

No romance Sunset Park, de Paul Auster, um grupo de jovens fica sem ter onde morar, na esteira da recessão econômica que assolou os Estados Unidos em 2008. Juntos, formam uma comunidade possível numa casa abandonada que invadem e habitam, exercitando formas de cooperação e trabalho em conjunto. O sociólogo Richard Sennett propõe que a cooperação, e a comunidade que nasce da cooperação, podem atuar como saídas para aqueles que se encontram fora da ordem econômica: que os excluídos possam, no exercício da cooperação, voltar o olhar para fora também de suas limitações, ou melhor, das limitações que sempre lhes foram impostas. No romance de Auster, os personagens a todo o momento negociam e reconfiguram relações afetivas e econômicas, aprendendo a se abrir para o outro, e colocando-se sempre à margem dos papéis sociais preestabelecidos. E esses pequenos deslocamentos, assim como a escrita literária, têm um grande potencial de contaminação, de efetivamente tocar o outro num reconhecimento da potência que nos conforma.

Biografia do Autor

Rafaela Scardino, Universidade Federal do Espírito Santo

Possui graduação em Letras Português pela Universidade Federal do Espírito Santo (2006), mestrado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (2008) e Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo (2015). Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Teoria Literária, atuando principalmente no seguinte tema: deslocamento. Professora de Literatura no Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo.

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Publicado

2017-01-27

Edição

Seção

Artigos