A subversão pela tradição de Isak Dinesen: animismo, bruxas e storytelling em “The Deluge at Norderney”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2021.e74759

Palavras-chave:

Isak Dinesen, Karen Blixen, Animismo, Bruxa, Storytelling

Resumo

O presente artigo tem como objetivo investigar de que modo a autora Isak Dinesen (pseudônimo e personagem viva de Karen Blixen) utiliza certos recursos para invocar a memória das tradições pagãs europeias. Entre eles, há o animismo, em que a natureza, especialmente o mar, tem agência e intenção, interferindo com e manipulando o enredo - remetendo ao sistema ontológico animista, que caracteriza o modo de pensar do paganismo. Há também o emprego do storytelling, modo como os conhecimentos são transmitidos entre as gerações por essas populações, e a presença constante da figura da bruxa. Ao empregar esses elementos em sua escrita, Dinesen cria um tipo peculiar de modernismo que subverte as leis da composição literária clássica através da retomada de outro tipo de tradição, que há séculos questiona e resiste ao status quo.

Biografia do Autor

Sofia Osthoff Bediaga, Universidade Estadual de Campinas

Mestranda em Teoria e História Literária pela Unicamp. É bacharel em Letras: Português-Russo pela UFRJ, tendo cursado um semestre na Universidade Livre de Berlim. Depois de alguns anos estudando principalmente literatura russa, tendo apresentado alguns trabalhos sobre o assunto e publicado algumas traduções dessa língua, mudou seu foco para a obra de Isak Dinesen, autora dinamarquesa anglófona, sobre a qual escreve sua dissertação no momento.

Suzi Frankl Sperber, Universidade Estadual de Campinas

Professora titular e colaboradora da Universidade Estadual de Campinas. Concluiu a graduação (1965), o mestrado (1967) e o doutorado (1972) em Letras pela USP e Livre-docência em Letras pela UNICAMP (1998). Foi coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais - LUME por treze anos (até sua aposentadoria compulsória), membro do conselho editorial de: Ilinx - Revista do Lume, - Mafuá (Florianópolis) , foi membro do conselho editorial da Revista ABP - Afrika Asien Brasilien . Credenciada como docente e orientadora no Instituto de Estudos da Linguagem (Departamento de Teoria Literária) e no Instituto de Artes (Departamento de Artes Cênicas) - UNICAMP. Coordenadora do GT Literatura e Sagrado (ANPOLL). Coordenadora do simpósio Literatura e dramaturgia: entre o palco e a academia" (ABRALIC) desde 2011. Co-fundadora do Centro de Pesquisas Margens.Líder do Círculo de Estudos Avançados em Dramaturgia.

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Publicado

2021-01-28

Edição

Seção

Contextos literários: releituras e intertextos