"Finnegans Wake", de James Joyce, é musiscritura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8026.2021.e76114

Palavras-chave:

Finnegans Wake, Música eletroacústica, Inovação

Resumo

Este paper propõe abordar as relações de Finnegans Wake com a música, especialmente com a música erudita eletroacústica, a qual se desenvolveu a partir da década de 1940. Não obstante a predileção de Joyce pela música erudita tradicional, aqui desenvolve-se a hipótese de que a escrita experimental do modernista irlandês, mais do que aplicar formas típicas da música, criou um tipo específico de musiscritura e antecipou procedimentos que os compositores só conseguiram alcançar com o uso de fitas magnéticas e sintetizadores. Assim, pelo uso sistemático de trocadilhos multirreferenciais, justapostos em dezenas de línguas e dialetos, Joyce colocou-se à frente da vanguarda musical de sua época, a qual chegou à síntese aditiva de densas camadas sonoras apenas algumas décadas depois das publicações iniciais de partes da Work in Progress, ainda na década de 20.

 

Biografia do Autor

Luis Henrique Garcia Ferreira, Mestrando em História e Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas Mestrando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná

É graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2003). Tem experiência na área de comunicação, tendo atuado principalmente como editor, jornalista e fotógrafo. Ademais, é Licenciado em História. Atuou como professor do Governo do Estado de São Paulo e pelo município de Itatiba. Além disso, é pesquisador de literatura modernista de língua inglesa, sendo o escritor irlandês James Joyce o objeto de pesquisa. Hoje, é mestrando em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com orientação do Prof. Dr. Fabio Ackcelrud Durão e mestrando em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) com orientação do Prof. Dr. Caetano Waldrigues Galindo

Renato Fabbri, Doutor em Física pela Universidade de São Paulo

esquisa e desenvolve software com ênfase em física, computação, matemática, artes, tecnologias e conhecimentos livres. Disponibilizou uma descrição psicofísica da música no áudio digital, acompanhada de implementações computacionais de cada relação descrita (condensada como dissertação de mestrado e melhorada como artigo). Finalizou o doutorado em Física Computacional sobre Redes Complexas, Mineração de Texto, Visualização de Dados e Dados ligados para Análise de Redes Sociais em que evidencia uma consistente e proeminente estabilidade das redes sociais humanas e a diferenciação do texto produzido pelos setores de hubs, intermediários e periféricos. Aprecia também processamento de sinais e cognição humana. Parceiros de pesquisa atuais incluem filósofos, cientístas sociais, psicólogos, cientistas de computação e físicos.

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Publicado

2021-01-28

Edição

Seção

Contextos literários: releituras e intertextos