Resiliência informacional e microcefalia: práticas digitais de busca por informação

Autores

  • Paullini Mariele da Silva Rocha Universidade Federal da Paraíba
  • Fellipe Sá Brasileiro Universidade Federal da Paraíba
  • Daniella Alves de Melo Universidade Federal da Paraíba
  • Edvaldo Carvalho Alves Universidade Federal da Paraíba
  • Ana Margarida Pisco Almeida Universidade de Avero

DOI:

https://doi.org/10.5007/1518-2924.2021.e78180

Palavras-chave:

Resiliência informacional, Desinformação, Microcefalia, Letramento informacional, Busca da Informação

Resumo

Objetivo: Em momentos de transição, como mudanças inesperadas ou eventos estressantes, os sujeitos tendem a
buscar bases informacionais que diminuam seu estado de incerteza e contribuam com a tomada de decisão informada.
Uma das formas de transpor as dificuldades impostas por um novo ambiente informacional complexo é o
desenvolvimento da resiliência informacional, construída a partir das práticas de letramento dos sujeitos. Esse trabalho,
então, tem como objetivo compreender o processo de busca por informações no ambiente digital e sua relação com a
resiliência informacional, no contexto do surto de microcefalia vivenciado no Brasil em 2015.

Método: Pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa. Realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com sete
mulheres – com filhos diagnosticados com microcefalia causada por Zika vírus – residentes na região Nordeste do
Brasil. Dados analisados com base na análise temática de conteúdo.

Resultado: O acesso à informação no ambiente digital não foi homogêneo, algumas mulheres preferiram priorizar as
informações advindas dos profissionais de saúde. Àquelas que permaneceram acessando o ambiente digital,
experimentaram tanto experiências positivas quanto negativas relacionadas à informação. A desinformação se
apresentou como a principal barreira de acesso à informação no ambiente digital.

Conclusões: As limitações quanto à busca informacional no ambiente digital foram enfrentadas a partir da articulação
entre as fontes digitais situacionais e as não digitais. Os espaços de saúde e seus profissionais agiram como curadores
das informações encontradas no ambiente digital, oferecendo confiança e credibilidade. Além disso, a colaboração entre
as mulheres proporcionou o aprendizado mútuo que favoreceu o processo de resiliência informacional.

Biografia do Autor

Paullini Mariele da Silva Rocha, Universidade Federal da Paraíba

Graduação em Comunicação Social - Relações Públicas pela Universidade Federal da Paraíba (2016). Mestre (2019) em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba (PPGCI/UFPB). Interesse nas áreas de Comunicação e Ciência da Informação, com ênfase em Relações Públicas e Mídias digitais, Cibercultura, Relacionamento e Redes Sociais, Práticas Informacionais, Resiliência Informacional e Letramento Informacional.

Fellipe Sá Brasileiro, Universidade Federal da Paraíba

Doutor e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Graduado em Comunicação Social pela UFPB (Habilitação em Relações Públicas). Pós-Doutorando em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais pela Universidade de Aveiro (UA)/Portugal. Professor Adjunto do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFPB. Professor visitante no DigiMedia (Digital Media and Interaction research centre) do Departamento de Comunicação e Arte/UA/Portugal (2019-2020) pelo Programa PVEX da CAPES (2019). Colabora com o Grupo de Pesquisa eHealth and Wellbeing do DigiMedia/UA. Tem interesse nos seguintes temas de pesquisa: práticas informacionais e comunicacionais em ambientes digitais, regimes de informação, resiliência informacional, comunicação e informação em saúde.

Edvaldo Carvalho Alves, Universidade Federal da Paraíba

É Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Paraíba (2000), Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (2002) e Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos (2007). Atualmente é Professor Associado do Departamento de Ciência da Informação (DCI) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde leciona, desenvolve e orienta pesquisas nas áreas da Sociologia e da Ciência da Informação, com ênfase em: Sociologia digital e da informação, Economia Política da Informação, Metodologia da Pesquisa em Ciência da Informação, Práticas Informacionais, Mediação, Acesso, Uso e Impactos da informação.

Ana Margarida Pisco Almeida, Universidade de Avero

Professora Auxiliar na Universidade de Aveiro, Portugal. Licenciada em Novas Tecnologias da Comunicação, possui Doutorado em Ciências e Tecnologias da Comunicação (Universidade de Aveiro, Portugal) e lecciona pelo Departamento de Comunicação e Arte. Foi Vice-Diretora (2006-2010) e Diretora (2010-2013) do Bacharelado em Novas Tecnologias da Comunicação, membro do Conselho Pedagógico da Universidade (2016-2019) e atualmente é membro do Conselho Científico do Doutorado Programa em Multimédia na Educação (desde 2014).

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Publicado

2021-06-07

Como Citar

Rocha, P. M. da S., Brasileiro, F. S., Melo, D. A. de ., Alves, E. C. ., & Almeida, A. M. P. . (2021). Resiliência informacional e microcefalia: práticas digitais de busca por informação. Encontros Bibli: Revista eletrônica De Biblioteconomia E Ciência Da informação, 26, 1-22. https://doi.org/10.5007/1518-2924.2021.e78180

Edição

Seção

Artigo