Relação Museu Escola: Influências da Escola nas Abordagens Museais

Autores

  • Thiago da Silva Santos Universidade Estadual da Paraíba, Campus III
  • Marcelo Gomes Germano Universidade Estadual da Paraíba, Campus I

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7941.2020v37n2p971

Palavras-chave:

Relação Museu-escola, Escolarização dos Museus, Museus de Ciências

Resumo

Os Museus de Ciências são considerados espaços educativos com particularidades que aproximam suas perspectivas das políticas públicas de difusão e popularização das ciências. Mas, em países como o Brasil onde a cultura de visitação a Museus de Ciências não é muito forte, constata-se uma grande concentração de visitantes pertencentes ao grupo dos professores e estudantes da educação básica, dificultando a aproximação dos museus com o público em geral. Este fato tem atraído a atenção de alguns pesquisadores e favorecido a consolidação de estudos e pesquisas com interesse na relação Museu-Escola. Neste artigo apresentamos os resultados de uma pesquisa que objetivou investigar a relação Museu-Escola considerada a perspectiva da influencia que o público escolar pode exercer nas atividades museais. Desenvolvida no contexto do Museu Vivo da Ciência e do Espaço Energia em Campina Grande/PB a pesquisa de natureza qualitativa partiu da hipótese de um possível processo de escolarização dos museus e, a partir de entrevistas semiestruturadas orientadas aos coordenadores e monitores dos referidos espaços, procurou identificar traços característicos dessa influência e, ao mesmo tempo, discutir as implicações que esse processo pode causar naqueles espaços educativos. Os resultados apontaram que a presença de um público majoritariamente escolar introduz modificações nos discursos dos monitores e coordenadores, de modo que os Museus de Ciências, teoricamente orientados para atrair e dialogar com o público em geral, terminam por adequar o seu discurso, as suas práticas e a estrutura de funcionamento, aos sistemas formais de educação.

Biografia do Autor

Thiago da Silva Santos, Universidade Estadual da Paraíba, Campus III

Natural da Cidade do Rio de Janeiro, RJ, o Professor Thiago Santos é Licenciado em Física pela Universidade Estadual da Paraíba, Especialista em Educação Inclusiva e Atendimento Educacional Especializado pela Faculdade Sucesso (FACSU) e Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Estadual da Paraíba. Sua carreira de Professor teve início no Ensino Básico através das Redes Pública e Privada da Educação da Paraíba e atualmente é professor da área de Ensino de Física na Universidade Estadual da Paraíba. Ao longo do percurso na Academia, manteve-se próximo às discussões e aos projetos referentes à Popularização da Ciência, bem como sobre a importância dos espaços não formais tanto para a Popularização quanto para a Educação Formal.

Marcelo Gomes Germano, Universidade Estadual da Paraíba, Campus I

Nascido em Aroeiras na Paraíba, o Professor Marcelo Germano é Licenciado em Física pela Universidade Regional do Nordeste, Especialista em Ensino de Ciências pela Universidade Estadual da Paraíba, Mestre em Física pela Universidade Federal da Paraíba e Doutor em Educação Popular pela Universidade Federal da Paraíba. Iniciou sua carreira no Magistério como Professor do Ensino Médio e atualmente é Professor de Física da Universidade Estadual da Paraíba, onde se encontra vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática. Tem publicado importantes trabalhos que discutem a relação entre Ciência e Senso Comum; Reducionismo Científico X Comunicação Pública da Ciência e o Ensino de Ciências em espaços não formais de Educação.

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Publicado

2020-08-12

Edição

Seção

Espaços não formais no ensino de Física