Educação linguística, decolonialidade e o direito à ideologia heteroglóssica e opaca
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e108702Palavras-chave:
decolonialidade, colonialidade da linguagem, ideologia heteroglóssica, comunicação opacaResumo
Este artigo se propõe a indagar o futuro dos estudos linguísticos e, em particular, da educação linguística em face dos desafios contemporâneos. Para tanto, veste as lentes do pensamento decolonial para reimaginar conceitos do campo da linguagem. Parte-se da ideia de que para descolonizar as práticas linguageiras e a educação linguística torna-se fundamental fissurar construtos que são frutos da herança de teorias da aquisição de línguas sob uma orientação majoritariamente cognitiva e estruturalista. Para tanto, o artigo focalizará dois conceitos muito relevantes no campo, a saber, a ideologia monoglóssica assentada na ficção das chamadas named languages bem como o entendimento ocidental de comunicação assentado no desejo de totalidade, compreensão e inteligibilidade. Para este movimento fractal, pretende-se explorar os conceitos de colonialidade da linguagem, racismo linguístico e raciolinguística ao percebê-los como fundamentais para o acolhimento a uma orientação linguística heteroglóssica e a abertura à condição opaca da comunicação. O artigo conclui atestando a frutífera renovação crítica dos estudos linguísticos em sua interface com o debate decolonial e o potencial que se revela para pensar uma educação linguística outra.
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