A memória na prisão: entre a massificação e a resistência

José Mauro Oliveira Braz, Fernanda Santos Curcio, Francisco Ramos de Farias

Resumo


Este artigo tem como objetivo compreender como a instituição prisão consegue, por intermédio de suas dinâmicas, experiências e práticas disciplinares, funcionar de modo a provocar o nivelamento das diferenças subjetivas dos encarcerados pela assimilação das normas de convivência, em termos de submissão e obediência a cultura prisional. Como metodologia utilizada, realizou-se o levantamento bibliográfico de obras que auxiliassem na construção desta discussão, onde autores como Foucault, Goffman, Thompson e Althusser direcionaram o referido trabalho. O fenômeno da massificação subjetiva se faz presente na medida em que a instituição atua no sentido de tentar produzir semelhantes experiências nos encarcerados, transformando-as em vestígios de memórias e lembranças. Desse modo, a prisão, como qualquer outro lugar de memória, conduz seus encarcerados de acordo com um conjunto de determinações estabelecidas para a transmissão da disciplina e controle. Porém, o ambiente prisional que atua na busca da padronização subjetiva está fundamentado em contradições e de correlações de forças que dão espaço a resistência. Configurando, assim, não apenas a preservação da memória do espaço instituído, como também a produção de arranjos, ou melhor, uma modalidade de memória em termos de possíveis dobras que se impõe ao poder desta instituição.


Palavras-chave


Prisão; Instituição; Memória; Subjetividade; Resistência

Texto completo:

PDF/A

Referências


AGUIRRE, C. Cárcere e sociedade na América Latina, 1800-1940. Em: Maia, C. N. e outros (org.). História das prisões no Brasil., v.1. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.

ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado (AIE). Rio de Janeiro: Edições Graal, 1918.

BARCINSKI, Mariana & CUNICO, Sabrina Daiana. Rev. Psicologia: Ciência e Profissão., Os efeitos (in)visibilizadores do cárcere: as contradições do sistema prisional. Brasília, v.26, n. 4, 2006. Disponível em: . Acesso em 03 jun 2015.

BECCARIA, Cesare. Dos Delitos e das Penas. São Paulo: Martin Claret, 2001.

BENTHAM, Jeremy, O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

BERGER, Peter L.; LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. Petrópolis: Vozes, Cap. 2 p. 67 – 121, 2006.

BUTLER, Judith. Mecanismos psíquicos del poder. Valencia: Ediciones de Cátedra,2011.

CASTEL, Robert. A Ordem Psiquiátrica: a Idade de Ouro do alienismo. Rio de Janeiro: Graal, 1978.

CASTEL, Robert. A Instituição Psiquiátrica em Questão. In Figueira, Sérvulo Augusto (coord.). Sociedade e Doença Mental. Rio de Janeiro: Campus, 1978.

COSTA, Ilcéia. Memória Institucional: a construção conceitual numa abordagem teórico-metodológica. Rio De Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1997 (Tese de Doutorado em Ciência da Informação).

DELEUZE, Gilles. Foucault. Tradução: Claúdia Sant’Anna Martins; São Paulo: Brasiliense, 2005.

DORNELLES, J. R. O que é crime. São Paulo: Brasiliense, 1988.

FONSECA, Karina Prates da. (Re)Pensando o crime como uma relação de antagonismo entre seus autores e a sociedade. Rev. Psicologia: Ciência e Profissão., Brasília , v. 26, n. 4, dez. 2006 . Disponível em: . Acesso em: 25 jun 2015.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir – História das violências nas prisões. Tradução de Raquel Ramalhete, 13 ed. RJ, Petrópolis: Vozes, 1987.

FOUCAULT, Michel. História da loucura: Na idade clássica. São Paulo: Perspectiva, 1996.

GUATTARI, Felix. & ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 1996

GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1974.

GONDAR, Jô. Lembrar e esquecer: desejo de memória. In: COSTA, I.; GONDAR, J. (Org.) Memória e espaço. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000.

JACÓ-VILELA, Ana. Maria, FERREIRA, Arthur. Arruda. Leal. & PORTUGAL, Francisco. Teixeira. (Orgs.). História da Psicologia. Rumos e percursos. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2005.

RICOEUR, Paul. Memória, História e Esquecimento. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2007.

SEQUEIRA, Vania. Conselheiro, Por que o carcereiro não deixa as portas da prisão abertas?. Rev. Interações., São Paulo, v.9, n.18, dez. 2004. Disponível em: . Acesso em: 08 jun. 2015.

THOMPSON, Augusto. A questão penitenciária. Rio de Janeiro, Forense, 1980.

WACQUANT, Loïc. O lugar prisão na nova administração da pobreza. Rev. Novos estudos – CEBRAP., São Paulo, nº80, mat. 2008. Disponível em: . Acesso em: 06 jun. 2015.




DOI: https://doi.org/10.5007/1807-1384.2016v13n1p1

Direitos autorais 2016 Revista Internacional Interdisciplinar INTERthesis



R. Inter. Interdisc. INTERthesis, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, eISSN 1807-1384

 

Licença Creative CommonsConteúdos do periódico licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.