Narrativas que naturalizam violências: reflexões a partir de entrevistas com homens sobre violência de gênero

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-1384.2020.e72407

Palavras-chave:

Violência, Masculinidades, Gênero, Feminismo, Narrativas

Resumo

Este artigo versa sobre a construção de subjetividades, masculinidades e violência contra mulheres. O estudo reflete acerca da associação entre violência e masculinidade nas narrativas de homens. Nossos eixos teóricos são os estudos de gênero e as teorias feministas de base construcionista social e pós-estruturalista. O material foi obtido por entrevistas em profundidade com homens acusados e não acusados de exercer violência de gênero. A partir de sua transcrição e codificação, foi analisado tomando como base o estudo de narrativas (temática e estrutural). A violência de gênero aparece associada a significados sobre a posse da mulher, diferenciações de gênero relacionadas a racionalidade e emoção, dominação e culpabilização da mulher pela violência. Como conclusão, destacamos a importância de problematizar significados que contribuem para sustentar e reproduzir as violências de gênero ao intervirmos de forma comunitária e/ou institucional, em especial aquelas legitimadas por masculinidades tradicionais nas quais a violência parece ser parte constituinte.

Biografia do Autor

Adriano Beiras, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

Professor do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutor Europeu em Psicologia Social pela Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), Espanha. Psicoterapeuta Relacional Sistêmico. Terapeuta de Casais e Famílias (Especialização pelo Familiare Instituto Sistêmico, Fpolis). Coordenador do Núcleo de Pesquisas Margens (Modos de Vida, Família e Relações de Gênero) na UFSC. Vice-coordenador do grupo de pesquisa do CNPq NPPJ- Núcleo de Pesquisa em Psicologia Jurídica. Áreas de interesse: masculinidades, violências, gênero, família, construcionismo social, psicologia jurídica, grupos reflexivos de gênero, políticas públicas.

Mateus Pereira Benvenutti, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

Graduado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Maria Juracy Filgueiras Toneli, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC

Professora Titular Aposentada do Departamento de Psicologia e Professora do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (Universidade de São Paulo)

 

Camila Maffioleti Cavaler, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

Mestranda em Psicologia no Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Graduada em Psicologia pela Universidade do Extremo Sul Catarinense.

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Publicado

2020-12-02

Edição

Seção

Artigos - Estudos de Gênero