Brasil: fascismo ou neoescravidão?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-0259.2021.e75203

Palavras-chave:

Fascismo, Escravidão, Brasil, Estado

Resumo

O artigo tem por objetivo discutir a pertinência do conceito de “fascismo” em referência ao atual governo do Brasil. A reflexão segue o caminho teórico-metodológico que dois dos maiores intelectuais italianos de início do século XX propuseram nas suas respectivas análises sobre o fascismo, trata-se de Piero Gobetti e Antonio Gramsci, servindo também como referência os relatos de Norberto Bobbio sobre a sua experiência pessoal em relação a esse regime. A partir dessa porta de acesso à problemática, são apresentadas as ponderações sobre a possibilidade de denominar o atual governo e o Estado brasileiro como “fascistas”. A conclusão do estudo é que as atuais relações sociais no Brasil respondem ao desenvolvimento histórico de ininterrupta reprodução das relações de subordinação a partir da escravidão, e não a uma forma particular de fascismo ou de fascistização. Metodologicamente assume-se a perspectiva da “história integral”. Em termos das ferramentas para as análises, o estudo se vale de material bibliográfico.

Biografia do Autor

María del Carmen Cortizo, UFSC - Florianópolis - SC

Doutora em Ciências Sociais pela Universidade de Campinas (UNICAMP)

Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Débora Ruviaro

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Publicado

2021-04-09