A formação do habitus docente: orientações para ser um “bom” profissional (Londrina, PR, 1954-1970)
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e108736Palavras-chave:
Costumes, Profissão, História da educaçãoResumo
Na sociedade escolarizada, é comum ouvir a pergunta se uma pessoa é “boa” ou “má” docente, ou estudantes de licenciatura indagarem sobre o que é “ser docente”. As respostas são complexas e demandam a reflexão sobre diferentes variáveis. Assim, esta pesquisa se volta para o estudo dos comportamentos e dos habitus docentes em uma realidade específica. O objetivo do estudo foi analisar a formação do habitus docente no município de Londrina, no Paraná, segundo as atas do Departamento de Educação Pública e Assistência Social (DEPAS, 1954-1970). O DEPAS foi um órgão do poder executivo municipal, responsável pela gestão, pela orientação educacional e pelo acompanhamento do trabalho docente. A metodologia teve como referência a prática de pesquisa em história da educação, assumiu como base documental os registros das atas do DEPAS e como base interpretativa o conceito de habitus formulado por Norbert Elias. Os resultados indicam que o DEPAS operava como instância de normatização dos padrões de comportamento das professoras, contribuindo para a formação do habitus docente disciplinado, hierarquizado e alinhado a valores morais do período. Conclui-se que a construção desse habitus foi condicionada por práticas formativas do poder municipal, pressões internas e apelos a crenças sociais que visavam construir um padrão comportamental, a fim de modelar tanto as professoras, quanto os estudantes.
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