Leitura e escrita nos anos iniciais: análise de dados diagnósticos e formação docente em perspectiva decolonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e111049

Palavras-chave:

Formação docente, Avaliação educacional, Decolonialidade

Resumo

Este artigo analisa a formação docente “Leitura e Escrita: possibilidades metodológicas de aprendizagem”, articulando-a criticamente aos dados diagnósticos de leitura e escrita produzidos pelo CAEd nas redes municipal e estadual dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter analítico-interpretativo, fundamentada na perspectiva decolonial. O estudo problematiza a noção de “defasagem” à luz da colonialidade do saber e da linguagem, compreendendo que as dificuldades evidenciadas nas avaliações externas não podem ser interpretadas exclusivamente como insuficiências individuais, mas como expressões de tensões entre a cultura escolar normativa e os repertórios socioculturais dos (as) estudantes. Por sua vez, a análise dos dados revela um percurso progressivo de complexificação das habilidades exigidas, da consolidação do sistema de escrita alfabética e da identificação da finalidade textual, nos anos iniciais, à predominância de competências discursivas, inferenciais e metatextuais nos anos subsequentes. Em resposta a esse cenário, a formação propôs metodologias situadas, dialógicas e territorializadas, destacando a oficina “Gaiola Mágica” como dispositivo pedagógico que articula produção textual, memória regional e imaginação crítica. Conclui-se que o enfrentamento das defasagens em leitura e escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental exige a reconfiguração das práticas pedagógicas, fundamentada em princípios ético-políticos que reconheçam a linguagem como espaço de construção de sentidos e a escola como ambiente de formação crítica.

 

Biografia do Autor

Maria Zanela, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutora em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil (2023), na linha de pesquisa ''Sujeitos, Processos Educativos e Docência'', pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFSC), sob a orientação da Professora Dra. Joana Célia dos Passos e Graduanda em Pedagogia pelo Centro Universitário Cidade Verde. Bibliotecária CRB-14/1823 (UFSC, 2016); Mestra em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSS/UFSC, 2018). Diretora Regional Norte da Associação Catarinense de Bibliotecárias/os (ACB) e Professora (Substituta) do Magistério Superior no Departamento de Ciência da Informação (CIN/UFSC). É integrante-pesquisadora do Alteritas/UFSC/CNPq (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Diferença, Arte e Educação). Atualmente tem atuado com sólido desenvolvimento nas áreas de Bibliotecas Escolares e políticas educacionais voltadas à promoção da leitura e da literatura. Com experiência em mediação de leitura, desenvolvimento de projetos de letramento literário (antirracista) e fortalecimento da competência leitora de estudantes e usuários. Desenvolve estudos, pesquisas e publicações nas áreas de relações étnico-raciais, de gênero e sexualidades; políticas sociais, inclusão social; informação e cidadania, informação e movimentos sociais; resistências e poder; interseccionalidade e branquitude; pedagogias decoloniais, perspectivas lítero-pedagógicas e informação contra-hegemônica; arte-educação e biblioterapia; organização e representação do conhecimento.

 

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Publicado

2026-09-23

Como Citar

Zanela, M. (2026). Leitura e escrita nos anos iniciais: análise de dados diagnósticos e formação docente em perspectiva decolonial. Perspectiva, 44(2), 1–22. https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e111049

Edição

Seção

Artigos de Demanda Contínua