O Sistema Interamericano de Direitos Humanos como ambiente emancipatório? Reflexões sobre o desenvolvimento do direito à propriedade comunal

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5007/2177-7055.2025.e105133

Palabras clave:

Direito à Propriedade Comunal, Sistema Interamericano de Direitos Humanos, Movimentos Sociais, Direito Internacional Desde Abaixo

Resumen

Composto por um conjunto de regras arquitetadas por europeus e para europeus, mesmo após a independência das antigas colônias, o Direito Internacional permanece denotando a divisão Norte/Sul Global. O direito à propriedade insere-se nessa lógica, já que reflete a cultura liberal de proteção de direitos individuais. Entretanto, com o crescente questionamento das características modernas do Direito Internacional, particularmente quanto à inserção de sujeitos antes situados às margens do sistema e à necessidade de resguardar os seus direitos, surge a necessidade de alterar seu escopo. Diante desta questão, a partir de uma pesquisa de natureza aplicada e através do método qualitativo de abordagem e do método explicativo quanto aos objetivos, este texto busca compreender como se deu a modificação do conteúdo do direito à propriedade pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos, expondo (I.) a evolução jurisprudencial acerca da interpretação do referido direito e (II.) de que maneira tal desenvolvimento avança na proteção dos interesses daqueles colocados às margens do sistema. Para tanto, quanto aos procedimentos, adotam-se as técnicas bibliográfica, documental e jurisprudencial para o seu desenvolvimento, com recorte a partir das palavras-chave deste estudo. Ao final, concluiu-se que os movimentos sociais, tais como aqueles capitaneados pelos povos indígenas, podem oferecer novos caminhos para o Direito Internacional, libertando-o de suas raízes europeizadas, sendo o direito à propriedade comunal um exemplo disso.

Biografía del autor/a

Tatiana Cardoso Squeff, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professora de Direito Internacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS. Professora dos Programas de Pós-graduação em Biocombustíveis da Universidade Federal de Uberlândia, UFU; e de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM. Doutora em Direito Internacional pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, com período sanduíche junto à University of Ottawa. Mestre em Direito Público pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS, com período de estudos junto à University of Toronto. Expert brasileira nomeada pelo Ministério da Justiça/SENACON para atuar junto à Conferência de Direito Internacional Privado da Haia - HCCH, no 'Projeto Turista". Líder do grupo de pesquisa Direito Internacional Crítico, DiCrí/CNPq. Pesquisadora NETI/USP e da Faculdade de Direito de Vitória - FDV, onde realiza pós-doutorado em direitos e garantias fundamentais.

Jackeline Caixeta Santana, Universidade Federal de Uberlândia

Mestre e graduada em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Pesquisadora no Grupo de Estudos e Pesquisa Direitos Humanos e (De)Colonialidade, vinculado ao Laboratório de Estudos Decoloniais (LAED) e no Grupo de Estudos Direito Internacional Crítico (DiCri/UFRGS), ambos com vínculo no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Citas

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Publicado

2025-12-22

Cómo citar

SQUEFF, Tatiana Cardoso; SANTANA, Jackeline Caixeta. O Sistema Interamericano de Direitos Humanos como ambiente emancipatório? Reflexões sobre o desenvolvimento do direito à propriedade comunal. Revista Seqüência: Estudos Jurídicos e Políticos, Florianópolis, v. 46, n. 100, p. 1–27, 2025. DOI: 10.5007/2177-7055.2025.e105133. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/sequencia/article/view/105133. Acesso em: 16 ene. 2026.