Superação legislativa e a última palavra provisória: expressões de diálogo institucional ou de supremacia entre poderes?
DOI:
https://doi.org/10.5007/2177-7055.2025.e107578Palavras-chave:
Superação legislativa, Última palavra provisória, Diálogo institucional, Supremacia interpretativaResumo
O artigo investiga os limites e as formas de interação entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional no Brasil, com foco na superação legislativa e na teoria da última palavra provisória. A problemática reside em compreender se tais fenômenos expressam um efetivo diálogo institucional ou se revelam disputas por supremacia interpretativa da Constituição. O objetivo é examinar criticamente essas categorias no contexto do modelo constitucional brasileiro, marcado pela ausência de vinculação do Legislativo às decisões do STF em controle abstrato. O método adotado foi a revisão bibliográfica e análise crítica do tema a partir da experiência brasileira, considerando autores nacionais e estrangeiros. Conclui-se que a superação legislativa não se configura como diálogo institucional, mas como uma etapa do processo constitucional vinculada à independência do legislativo e condicionada a fatores políticos, de forma que os mecanismos de interação entre os poderes são contingenciais e não garantem um modelo dialógico. Já a teoria da última palavra provisória afirma a ausência de monopólio interpretativo e oferece uma visão dinâmica da interpretação constitucional, definida pelo poder desafiado por último, embora não resolva questões apontadas pelos críticos como a anarquia interpretativa ou a ausência de critério definitivo para encerrar disputas constitucionais.
Referências
ABRANCHES, Sérgio. Presidencialismo de coalizão: Raízes e evolução do modelo político brasileiro. São Paulo: Companhia das letras, 2018.
BARBOSA, Antonio Ezequiel Inácio; LIMA, Martonio Mont’alverne Barreto. Influência das teorias dos diálogos institucionais e da última palavra provisória no pensamento constitucional brasileiro contemporâneo. Revista de Investigações Constitucionais, Curitiba, vol. 5, n. 1, p. 109-128, jan./abr., 2018.
BATEUP, Christine. The Dialogic promise: assessing the normative potential of theories constitucional dialogue. Brooklin Law Review, v. 71, p. 01-85, 2006.
BENVINDO, Juliano Zaiden. A “última palavra”, o poder e a história: O Supremo Tribunal Federal e o discurso de supremacia no constitucionalismo brasileiro. Revista de Informação Legislativa, ano 51, nº 201, jan./mar., 2014.
BRANDÃO, Rodrigo. Supremacia judicial versus diálogos constitucionais: a quem cabe a última palavra sobre o sentido da constituição? 3ª ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2022.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988.
CLÈVE, Clèmerson Merlin; LORENZETTO, Bruno Meneses. Diálogos institucionais: estrutura e legitimidade. Revista de Investigações Constitucionais, Curitiba, vol. 2, n. 3, setembro/dezembro, p. 183-206, 2015.
FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2001.
FISHER, Louis. Constitutional Dialogues: interpretation as political process. Princeton: Princeton University Press, 1988.
GARGARELLA, Roberto. El derecho como una conversación entre iguales: qué hacer para que las democracias contemporáneas se abram - por fin - al diálogo ciudadano. Buenos Aires: Siglo veinteuno Editores Argentina, 2021.
HIRSCHL, Ran. O novo constitucionalismo e a judicialização da política pura no mundo. Revista de Direito Administrativo, 251, p. 139–178, 2009.
HOGG, Peter W.; BUSHELL, Allison A. The Charter Dialogue between Courts and Legislatures (or perhaps the charter of rights isn't such a bad thing after all). Osgoode Hall Law Journal, 35.1, p. 75-124, 1997.
HOGG, Peter W.; THORNTON, Allison A. Bushell; WRIGHT, Wade K. Charter Dialogue Revisited: Or “Much Ado About Metaphors”. Osgoode Hall Law Journal, 45.1, p. 1-65, 2007.
KRAMER, Larry D. Constitucionalismo popular y control de constitucionalidad. Trad. Paola Bergallo. Madrid: Marcial Pons, 2011.
LINARES, Sebastián. El diálogo democrático entre las cortes y las instituciones representativas. Revista Mexicana de Sociología, n. 3, julio-septiembre, 2008.
MARINONI, Luiz Guilherme. Controle de constitucionalidade e diálogo institucional. 1. ed. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2022.
MATOS, Deborah Dettmam. Concentração, divisão e controle do poder legislativo: a separação de poderes no constitucionalismo equilibrado e no constitucionalismo popular. 2017, 294p. Tese (Doutorado em Direito), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Paraná. 2017.
MENDES, Conrado Hübner. Direitos fundamentais, separação de poderes e deliberação. 2008, 224f. Tese (Doutorado), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2008.
NIEMBRO ORTEGA, R. Las respuestas legislativas a las declaraciones de inconstitucionalidad como forma de diálogo constitucional. Revista Española de Derecho Constitucional, 95, mayo-agosto, 2012.
PALMER, Matthew S.R. The Languages of Constitutional Dialogue: Bargaining in the Shadow of the Law. The 2007 Bora Laskin Lecture, Osgoode Hall Law School, SSRN, p. 1-14, jan., 2007.
PETTER, Andrew. Twenty years of charter justification: from liberal legalism to dubious dialogue. UNB Law Journal, 52, p. 187-199, may, 2003.
ROACH, Kent, Dialogic Judicial Review and its Critics. Supreme Court Law Review (2nd), vol. 23, p. 49-104, 2004.
ROACH, Kent. Dialogic remedies. International Journal of Constitutional Law, vol. 17, n. 3, p. 860-883, jul., 2019.
SILVA, Virgílio Afonso da. O STF e o controle de constitucionalidade: deliberação, diálogo e razão pública. Revista de Direito Administrativo, v. 250, p. 197-227, 2009.
TREMBLAY, Luc B. The legitimacy of judicial review: The limits of dialogue between courts and legislatures. International Journal of Constitutional Law, vol. 3, n. 4, p. 617–648, oct., 2005.
TUSHNET, Mark. Revisión judicial dialógica In: GARGARELLA, Roberto (comp.). Por una justicia dialógica: el Poder Judicial como promotor de la deliberación democrática. 1ª ed. Buenos Aires: Siglo XXI Editores, 2014. p. 105-116.
VIEIRA, Oscar Vilhena. Supremocracia. Revista de Direito GV, São Paulo. p. 441-464, jul-dez., 2008.
VIEIRA, Oscar Vilhena. A batalha dos poderes: da transição democrática ao mal-estar constitucional. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
YOSEF, Bell. A Double-Edged Sword: Constitutional Dialogue Confined. Forthcoming, International Journal of Constitutional Law, p. 1-42, apr. 12, 2022.













