Traduzir é categorizar: Um caso de tradução interlinguística Espanhol-Português

Lucas Mario Dacuña Badaracco, Mirian Rose Brum-de-Paula

Resumo


Neste artigo, investiga-se o modo como os processos de categorização e de proeminência ocorrem em fragmentos de Doze contos peregrinos, obra de García Márquez (2011). Para tanto, analisaram-se a versão original, em espanhol latino-americano, e uma versão traduzida, em português brasileiro (PB). Focam-se trechos em que o verbo poner (pôr) surge conjugado no particípio, na acepção de vestir-se, a fim de discutir o conteúdo semântico que as duas línguas expressam nessas situações. Haja vista que não há uma equivalência direta para puesto no PB, quais seriam as opções do tradutor ao encontrar-se com uma estrutura do tipo El niño tiene los zapatos puestos (O menino está usando sapatos)? O que elas poderiam revelar sobre o aparato conceitual humano? Os níveis de categorização teriam as mesmas especificidade e distintividade na língua-fonte e na língua-alvo? Quais informações deixariam de ser expressas e quais se tornariam explícitas após um texto ser traduzido? Com base nas propostas de Rosch (1975; 1978) e Lakoff (1987), constataram-se diferenças que interessam à tradução.


Palavras-chave


Tradução; Categorização; Equivalência.

Texto completo:

PDF/A

Referências


BENEDETTI, I. C.; SOBRAL, A. (Orgs.). Conversas com tradutores. São Paulo: Parábola, 2003.

CULIOLI, A. et al. La théorie d’Antoine Culioli. Paris: Ophrys, 1992

DE VOGÜÉ, S.; FRANCKEL, J.J.; PAILLARD, D. Linguagem e enunciação: representação, referenciação e regulação. São Paulo: Contexto, 2011.

FERRARI, L. Introdução à Linguística Cognitiva. São Paulo: Contexto, 2011.

FODOR, J. A. The Modularity of Mind. Cambridge: MIT Press, 1983.

FUCHS, C. La linguistique cognitive. Paris: Ophrys, 2004.

_____.; ROBERT, S. (Orgs.). Diversité des langues e representations cognitives. Paris: Ophrys, 1997.

García Márquez, G. Doce cuentos peregrinos. 18ª ed. Buenos Aires: Debolsillo, 2011.

_____. Doze contos peregrinos. Tradução de Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Record, 1992.

GIVÓN, T. Mind, code and context: Essays in Pragmatics. Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1989.

IBARRETXE-ANTUÑANO, I.; VALENZUELA, J. Lingüística Cognitiva: origen, principios y tendencias. In: _____. (Orgs.). Lingüística Cognitiva. Barcelona: Anthropos, 2012. p.13-28.

JAKOBSON, R. Linguística e comunicação. 22ª ed. São Paulo: Cultrix, 2010.

LAKOFF, G. Women, fire and dangerous things: what categories reveal about the mind. Chicago: The University of Chicago Press, 1987.

_____; JOHNSON, M. Metaphors we live by. Chicago: The University of Chicago Press, 1980.

LANGACKER, R. W. Foundations of cognitive grammar: Theoretical Prerequisites. Stanford: Stanford University Press, 1987.

PERINI, M. A. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2010.

PINKER, S. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

ROBERT, S. Variation des représentations linguistiques: des unites à l’énoncé. In: FUCHS, C.; ROBERT, S. (Orgs.). Diversité des langues et représentations cognitives. Paris: Ophrys, 1997. p.25-39.

ROSCH, E. Cognitive representations of semantic categories. In: Journal of Experimental Psychology: General. v. 104, nº 3. 1975. p.192-23

_____. Principles of categorization. In: ROSCH, E.; LLOYD, B. B (Orgs.). Cognition and categorization. Hillsdale: Lawrence Erlbaum, 1978. p.27-48.

TALMY, L. Toward a cognitive semantics. Cambridge: MIT Press, 2000.

TOMASELLO, M. Origens culturais da aquisição do conhecimento humano. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

VAUCLAIR, J. Desenvolvimento da criança do nascimento aos dois anos: motricidade, percepção, cognição. Lisboa: Instituto Piaget, 2008.




DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2015v35n1p118



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.