Para além do Oral e do Escrito: O Caso das Reescritas Koitiria

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2019v39nespp148

Palavras-chave:

Reescritas, Oralidade, Koitiria

Resumo

O presente trabalho1 objetiva discutir as relações entre oralidade, escrita e reescritas indígenas, considerando o contexto colonial e os efeitos de sentido produzidos da dicotomização e hierarquização desses modos semióticos. Tendo como referencial a desconstrução derridiana, rompemos com a ideia recalcitrante de que os povos originários eram ágrafos, para então enxergarmos nas reescritas indígenas, sobretudo, na Série Kotiria – coleção de quatro livros que reescrevem narrativas tradicionais povo kotiria (wanano) –, um movimento, que vem se apresentando com maior intensidade a partir da Constituição de 1988, e que possibilita tentativas de superar, por meio de diversas formas de tradução, as dicotomias
e hierarquias impostas pela história contada a partir da perspectiva Ocidental.

Biografia do Autor

Patrick Rezende, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Licenciado pleno em Língua Inglesa e Literatura de Língua Inglesa pela Universidade Federal do Espírito Santo. É mestre em Linguística pela Universidade Federal do Espírito Santo, com pesquisa na área da tradução e estudos pós-coloniais. Doutor em Estudos da Linguagem pelo Programa de Pós Graduação em Estudos da Linguagem da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com pesquisa na área dos estudos da tradução. É editor-gerente da Revista PerCursos Linguísticos do PPGEL da UFES. Ministrou disciplinas para o Departamento de Línguas e Letras da Universidade Federal do Espírito Santo. Tem experiência como professor de linguística e línguas estrangeiras modernas. Conduz pesquisas na área de Letras, com ênfase em tradução e teorias pós-coloniais. Possui interesse nos seguintes tópicos: tradução, reescritas,povos indígenas, ensino de línguas estrangeiras modernas, identidade e pragmática. Membro da diretoria da ABRAP- Associação Brasileira de Pragmática. 

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Publicado

2019-12-19