outra travessia

A outra travessia tem como missão difundir reflexões atuais sobre temáticas relacionadas aos campos da Literatura e da Teoria Literária. Recebe originais de artigos e ensaios relativos a esses campos, assim como resenhas de livros, entrevistas, traduções. O fluxo de edição se dá por chamadas de publicações temáticas, abertas duas vezes ao ano.

Notícias

 

Chamada N°25 - "Poesia, prosa e as teatralidades da linguagem: limes e limens"

 

A modernidade opera pela teoria e prática da conquista, da divisão e da dominação. Nas artes e nas ciências, tal princípio se desdobra em selecionar e descrever um campo de saber previamente mapeado, delimitar a ambiência da ação e demonstrar o domínio no manejo dos saberes produzidos nessa ação. Negando os princípios que organizam o pensamento e ações modernos, a literatura contemporânea busca evidenciar a distância que a arte moderna mantém de seu mais precioso desejo, quer seja, o de anular a relação dicotômica entre arte e vida. A literatura contemporânea abandona a prática de um “fazer” artístico, marcando de modo bastante intenso seu “desejo” de produzir arte. Esse desejo se move por encenações da mitologia mesma da literatura. Encenações essas que colocam em evidência os limiares das formulações construídas com base em contradições. Deixa, com isso, de tratá-los como limes/fronteiras e os expõe em carne viva, ou seja, como contradições – que são – não resolvidas. A escrita que resulta desse modo de compreender a si mesma apresenta-se como teatral, uma vez que já não representa nada, não está no lugar de nada, ao contrário, apenas é, sem se preocupar com elemento que constitui o contraditório, seja ele o referente, seja ele o pensamento abstrato. Com uma escrita bastante marcada por um desejo de produzir experiências sensíveis e inteligíveis em meio a processos de formulação escrita, a poesia contemporânea responderia à exigência de sua tarefa com uma atitude que pode ser interpretada como uma negação às fronteiras de gênero e às concepções de seu próprio fazer artístico estabelecidos de antemão, ao mesmo tempo que propõe uma prática escrita cuja função é dar a ver lugares e paisagens criados a partir de cenas (re)tomadas de sua mitologia textual. Se estabeleceria nessa escrita uma relação entre voz (querer dizer) e linguagem (ser obrigado a dizer) que implica o enfrentamento de uma das formulações mais radicais da poesia moderna, a saber, reelaborar a relação entre a escrita da poesia – do verso –  e a produção de um pensamento que se mantenha ético.

Prazo de envio: até dia 30 de setembro de 2018

 
Publicado: 2018-07-25 Mais...
 
Outras notícias...

n. 23 (2017): Políticas das artes, artes das políticas


Capa da revista
Walter Benjamin's archive (Images, texts, signs), tradução de Esther Leslie, edição de Ursula Marx, Gudrun
Schwarz, Michael Schwarz e Erdmut Wizisla. London/New York, Verso, 2015; Fig. 4.10 ("Old
wooden horsey from the governatorate of Vladimir").