Interações discursivas de futuros professores sobre a estrutura algébrica de grupos: um olhar para a matemática escolar

una mirada a la matemática escolar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2025.e100276

Palavras-chave:

estruturas algébricas, linguagem matemática, tarefas formativas, licenciatura em matemática, interações discursivas

Resumo

Diversas práticas discursivas estão presentes em sala de aula. Neste artigo, busca-se identificar potenciais relações entre as interações discursivas, o papel do formador e as tarefas formativas, além de compreender de que modo tais relações promovem aprendizagens acerca do ensino da matemática escolar em uma disciplina de álgebra num curso de licenciatura em matemática. Utilizando uma abordagem qualitativa-interpretativa e o método Design Based-Research, foram conduzidos dois ciclos de pesquisa. Esses ciclos analisaram o planejamento, as interações discursivas entre os participantes de uma disciplina de álgebra enquanto resolviam tarefas formativas sobre a estrutura algébrica de Grupos, bem como suas avaliações. Os resultados mostram que as interações discursivas foram influenciadas pelas escolhas das tarefas matemáticas e pelos propósitos dos formadores durante o planejamento. Além disso, a estrutura dessas tarefas forneceu ferramentas para que os futuros professores discutissem sobre casos de ensino envolvendo o uso do elemento simétrico contextos escolares distintos. Diversas práticas discursivas estão presentes em sala de aula. Neste artigo, busca-se identificar potenciais relações entre as interações discursivas, o papel do formador e as tarefas formativas, além de compreender de que modo tais relações promovem aprendizagens acerca do ensino da matemática escolar em uma disciplina de álgebra num curso de licenciatura em matemática. Utilizando uma abordagem qualitativa-interpretativa e o método Design Based-Research, foram conduzidos dois ciclos de pesquisa. Esses ciclos analisaram o planejamento, as interações discursivas entre os participantes de uma disciplina de álgebra enquanto resolviam tarefas formativas sobre a estrutura algébrica de Grupos, bem como suas avaliações. Os resultados mostram que as interações discursivas foram influenciadas pelas escolhas das tarefas matemáticas e pelos propósitos dos formadores durante o planejamento. Além disso, a estrutura dessas tarefas forneceu ferramentas para que os futuros professores discutissem sobre casos de ensino envolvendo o uso do elemento simétrico contextos escolares distintos. 

Biografia do Autor

Vania Batista Flose Jardim, Instituto Federal de São Paulo

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ensino e História das Ciências e da Matemática da Universidade Federal do ABC (UFABC), mestre em Matemática Universitária desde 2011 e licenciada em Matemática desde 2009 pela Universidade Estadual Paulista - UNESP, além de possuir também a licenciatura em Pedagogia pela UMESP, obtida em 2019. Atualmente, exerce a função de professora de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), campus São Paulo, com atuação principal no curso de licenciatura em Matemática e nos cursos técnicos integrados ao ensino médio.

Alessandro Jacques Ribeiro , Universidade Federal do ABC

Doutor em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2007); Mestre em Educação Matemática (2001) e Licenciado em Matemática (1998) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Realizou dois estágios de Pós-Doutoramento: na Rutgers, The StateUniversityof New Jersey, Estados Unidos (2015); no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Portugal (2017). Atualmente é Professor Associado no Centro de Matemática, Computação e Cognição da Universidade Federal do ABC e Docente Permanente no Programa de Pós-Graduação em Ensino e História das Ciências e da Matemática da UFABC. Experiência acadêmica e profissional nas áreas de Matemática e de Educação Matemática, atuando principalmente nos temas: Educação Algébrica e Formação de Professores que Ensinam Matemática.

Marcia Aguiar, Universidade Federal do ABC

Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (2014), Mestre em Educação (1999) e em Matemática (2005), ambos pela Universidade de São Paulo. Licenciada em Matemática pela Universidade de São Paulo (1994). Realizou um estágio de Pós-Doutorado no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, Portugal (2018-2019). Lecionou em escolas públicas e particulares no Ensino Básico e, em Ensino Superior. Autora de Matemática do Programa Acelera Brasil do Instituto Ayrton Senna. Atualmente é professora adjunto da Universidade Federal do ABC, coordenadora do curso de Licenciatura em Matemática da UFABC (2023-2025) e professora do Programa de Pós-Graduação em Ensino e História das Ciências e da Matemática da UFABC. Sua área de pesquisa está relacionada ao Ensino de Matemática, Ensino de Álgebra e Formação de Professores que ensinam matemática.

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Publicado

2025-02-20

Edição

Seção

Artigos