A aproximação entre a física e as artes: motivações e desafios para o planejamento de práticas interdisciplinares

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2026.e103970

Palavras-chave:

interdisciplinaridade, Física e Artes, trabalho colaborativo, formação docente, pesquisa baseada em design

Resumo

Este trabalho investiga quais motivações e desafios perpassam o planejamento colaborativo e o desenvolvimento de atividades envolvendo Física e Arte, a partir de um curso de formação permanente desenvolvido em perspectiva interdisciplinar, colaborativa e não hierárquica. A interdisciplinaridade é compreendida como um processo criativo, no qual docentes interligam diferentes saberes para abordar problemas relevantes no contexto escolar. Com base na Pesquisa Baseada em Design, foram analisadas as experiências dos participantes para identificar elementos que favoreceram e dificultaram a integração entre as áreas. Os resultados evidenciam o potencial do trabalho coletivo para incentivar o planejamento em grupo e o compartilhamento de saberes, construindo propostas interdisciplinares significativas. Entretanto, também emergiram dificuldades, sobretudo na organização e implementação dessas práticas. A análise ressalta a importância do diálogo sobre temas centrais à interdisciplinaridade e da criação de espaços de convívio, que fortalecem tanto o trabalho colaborativo quanto os vínculos entre disciplinas como Física e Artes.

Biografia do Autor

Marilene Vieira Tonini, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda e Mestra (2022) pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Licenciada em Física (2020) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realizou Mobilidade Acadêmica Nacional (2019) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por meio do Programa Andifes. Integra os grupos de pesquisa Mídia-Educação e Comunicação Educacional (COMUNIC) e Humaniza: Formação Docente e Educação em Ciências Humanizada. Possui experiência nas áreas de Ensino de Física/Ciências e Formação de Professores, com interesse nos seguintes temas: articulação entre Ciência e Arte, interdisciplinaridade, alfabetização científica e técnica e Educação em Direitos Humanos.

André Ary Leonel, Universidade Federal de Santa Catarina

Licenciado em Física, com mestrado e doutorado em Educação Científica e Tecnológica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é professor pesquisador do Departamento de Metodologia de Ensino e do Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica da mesma instituição, onde atualmente exerce a coordenação. Foi coordenador do Núcleo de Formação do LANTEC (2017–2018) e do Núcleo de Formação e Inovação: Integração das TDIC na Educação Básica durante a pandemia. Atuou como professor visitante na City University of New York (CUNY) pelo Programa CAPES/PRINT-UFSC e coordenou o XX Encontro de Pesquisa em Ensino de Física (EPEF). É líder dos grupos de pesquisa COMUNIC – Mídia-Educação e Comunicação Educacional – e Humaniza – Formação Docente e Educação em Ciências Humanizada. Participou como avaliador da etapa pedagógica do PNLD Ensino Médio 2026–2029 no componente Física. Suas pesquisas abrangem Ensino de Física e Formação de Professores, com ênfase em Educação Inclusiva, Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação, Cultura Hacker, Alfabetização Científica e Técnica, Educação em Direitos Humanos, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Ensino de Física Moderna e Contemporânea na Educação Básica.

Referências

Araújo, F. U. (2014). Temas transversais, pedagogia de projeto e mudanças na educação. São Paulo, SP: Summus.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. Lisboa: Persona Edições.

Benedicto, E. C. P. (2021). Ciência e arte: Discutindo conceitos e tecendo relações (1ª ed.). Appris.

Brasil. (1996). Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União.

Brasil. (2015, julho). Resolução CNE/CP nº 002/2015: Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF.

Brasil. Ministério da Educação. (2018). Base nacional comum curricular. MEC.

Brown, A. L. (1992). Design experiments: Theoretical and methodological challenges in creating complex interventions in classroom settings. Journal of the Learning Sciences, 2(2), 141–178. https://doi.org/10.1207/s15327809jls0202_2

Cachapuz, A. F. (2014). Arte e ciência no ensino das ciências. Revista Interacções, 10(31). https://doi.org/10.25755/int.6372

Collins, A. (1992). Toward a design science of education. In E. Scanlon & T. O’Shea (Eds.), New directions in educational technology (pp. 15–22). Berlin: Springer-Verlag.

Figueira-Oliveira, D., La Rocque, L. R., Meirelles, R. M. S., & Cachapuz, A. F. C. (2018). Ciência e arte como competência pedagógica para a formação de professores. Ciência & Ideias, 9(1), 115–128. https://doi.org/10.22407/2176-1477/201.v9i1.738

Figueiredo, J. G. F. de, & González, D. G. (2019). Arte-educação e aspectos históricos da arte. ID on Line. Revista de Psicologia, 13(45), 1079–1102. https://doi.org/10.14295/idonline.v13i45.1811

Freire, P. (1987). Pedagogia do oprimido (17ª ed.). Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra.

Freire, P. (2013). Comunicação ou extensão? (1ª ed.). Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra.

Fourez, G., Englebert-Lecompte, V., Grootaers, D., Mathy, P., & Tilman, F. (1994). Alfabetización científica y tecnológica: Acerca de las finalidades de la enseñanza de las ciencias. Buenos Aires: Ediciones Colihue.

Fourez, G., Maingain, A., & Barbara, D. (2002). Abordagens didáticas da interdisciplinaridade. Lisboa: Instituto Piaget.

Kneubil, F. B., & Pietrocola, M. (2017). A pesquisa baseada em design: Visão geral e contribuições para o ensino de ciências. Investigações em Ensino de Ciências, 22(2), 1–16.

Leite, E. A. P., Ribeiro, E. S., Leite, K. G., & Uliana, M. R. (2018). Formação de profissionais da educação: Alguns desafios e demandas da formação inicial de professores na contemporaneidade. Educação & Sociedade, 39(144), 721–737. https://doi.org/10.1590/ES0101-73302018183273

Leonel, A. A. (2015). Formação continuada de professores de Física em exercício na rede pública estadual de Santa Catarina: Lançando um novo olhar sobre a prática [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina]. https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/169502

Lisita, V., Rosa, D., & Lipovetsky, N. (2001). Formação de professores e pesquisa. In M. André (Ed.), O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores (1ª ed., pp. 143–160). Campinas, SP: Papirus.

Martins, A. F. P. (Org.). (2019). Física, cultura e ensino de ciências (1ª ed.). Livraria da Física.

Silva, E. M. A., & Araújo, C. M. (2007). Tendências e concepções do ensino de arte na educação escolar brasileira. In Anais da 30ª Reunião Anual da ANPED (GT Educação e Arte). Caxambu, MG.

Tonini, M. V. (2022). O planejamento e o desenvolvimento de práticas interdisciplinares de e entre professores de Artes e de Física [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina]. https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/244098

Tonini, M. V., & Leonel, A. A. (2021). Física e arte na formação de professores: Percepções de futuros professores sobre a possibilidade do trabalho interdisciplinar. Revista de Enseñanza de la Física, 33(3), 637–644.

Zanetic, J. (1989). Física também é cultura (Tese de doutorado, Universidade de São Paulo). Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Zanetic, J. (2016). Física e arte: Uma ponte entre duas culturas. Pro-Posições, 17(1), 39–57. https://doi.org/10.1590/0103-7307201607903

Publicado

2026-02-19

Edição

Seção

Artigos