Inovação didática, isodidática ou antididática: conceitualizações e operacionalização para avaliações de propostas no Ensino de Ciências
DOI:
https://doi.org/10.5007/1982-5153.2026.e107012Palavras-chave:
Inovação didática, Inovação no ensino, Praxeologia, Educação em CiênciasResumo
Diante da crescente demanda por mudanças nas práticas de ensino, diversas propostas vêm sendo apresentadas como inovações didáticas. No entanto, a polissemia do termo “inovação” e a ausência de referenciais teóricos consolidados para sua análise dificultam avaliações rigorosas dessas propostas. Neste trabalho, propomos uma ampliação conceitual e metodológica para a análise de inovações no Ensino de Ciências, aprofundando uma definição anterior de inovação didática construída a partir do diálogo entre a Teoria de Difusão de Inovações (TDI) e a Teoria Antropológica do Didático (TAD). A partir dessa articulação, propomos categorias analíticas que permitem distinguir entre inovações didáticas, isodidáticas e antididáticas, com base na promoção (ou não) de aprendizagens consideradas desejáveis em contextos institucionais específicos. Essa estrutura oferece critérios mais precisos para a avaliação de propostas educativas e pode subsidiar pesquisas futuras sobre criação, implementação e adoção de inovações no campo da Educação em Ciências.
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