A subvalorização da formação continuada de professores: dos orientadores à articulação do referencial teórico no contexto do mestrado nacional profissional em ensino de física

Autores

  • Estevão Antunes Júnior Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Fernanda Ostermann Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Cláudio José de Holanda Cavalcanti Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2019v12n2p267

Palavras-chave:

Análise bakhtiniana, Análise de correspondência, Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física

Resumo

O Mestrado Nacional Profissional em Ensino de Física (MNPEF) surgiu como Mestrado Profissional em rede, focado muito mais no conteúdo de Física do que na formação pedagógica e/ou epistemológica. À luz do pensamento bakhtiniano, consideramos os mais de 200 trabalhos concluídos até a metade de 2017 como um conjunto de enunciados cujos aspectos verbais e não verbais, expressam diferentes vozes e que respondem e se direcionam a outras enunciações. A análise foi feita por meio de um método misto que integra o dispositivo analítico bakhtiniano de Veneu et al. (2015) à análise de correspondência fundamentada em Greenacre (2017). Ao analisar 208 trabalhos apresentados no contexto do MNPEF, encontramos que a articulação do referencial teórico no produto desenvolvido é dependente da formação e do histórico de pesquisa dos orientadores, e que trabalhos orientados por orientadores com formação ou histórico de pesquisa na área se afastam das diretrizes do programa.

Biografia do Autor

Estevão Antunes Júnior, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Estudante do Doutorado em Ensino de Física no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro da linha de pesquisa Ensino de Física Sob a Perspectiva Sociocultural, mestre em Ensino de Física (2018) e licenciado em Física (2015) pela mesma instituição. Integra o grupo "Pesquisa e inovação didática em ensino de Física sob a perspectiva sociocultural" da UFRGS, coordenado pela Prof.ª Dr. Fernanda Ostermann.

Fernanda Ostermann, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

É Licenciada em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem Mestrado e Doutorado na área de ensino de Física, ambos também pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. De 1989 a 1992, atuou como professora de Física na rede pública estadual de ensino de Porto Alegre. Por concurso público, ingressou como professora, em 1994, no Departamento de Física da UFRGS. Atualmente, ocupa o cargo de Professor Titular e é membro permanente do Programa de Pós-graduação em Ensino de Física. No período de novembro de 2006 a fevereiro de 2010 foi coordenadora do PPG Ensino de Física. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC), de 2015 a 2017 e fez parte da Comissão Organizadora Nacional do XI ENPEC, realizado em Florianópolis, em julho de 2017. Atualmente é presidente da ABRAPEC (biênio 2017-2019). É também Editora do Caderno Brasileiro de Ensino de Física, membro do Conselho Deliberativo do Instituto Latino-americano de Estudos Avançados - ILEA e líder de grupo de pesquisa, atuando principalmente nos seguintes temas: perspectiva sociocultural no ensino de Física, formação de professores e ensino de Física Moderna e Contemporânea.

Cláudio José de Holanda Cavalcanti, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Bacharelado Em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), mestrado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1993) e doutorado em Física pela mesma universidade (2001). Por aprovação em concurso público, desde junho de 2006 é professor adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em regime de dedicação exclusiva. Tem experiência na área de Física, com ênfase em Modernização Curricular, atuando principalmente nos seguintes temas: inserção de tópicos de Física Moderna e Contemporânea no ensino médio, avaliações em larga escala, métodos mistos de pesquisa e outros temas relevantes em Ensino de Física.

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Publicado

2019-11-29

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Seção

Artigos