Dimensões de credibilidade de afirmativas científicas e conhecimento funcional de natureza da ciência

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1982-5153.2021.e71898

Palavras-chave:

Ciência integral, Conhecimento funcional, Natureza da ciência, Dimensões de credibilidade, Organismos geneticamente modificados

Resumo

Investigamos como licenciandos em Química mobilizam conhecimentos de Natureza da Ciência (NdC) de maneira funcional na análise de afirmativas científicas relacionadas a um caso contemporâneo sobre os Organismos Geneticamente Modificados. Adotamos como referencial teórico os itens de dimensão de credibilidade de afirmativas científicas de Allchin (2011). Elaboramos critérios para julgar a funcionalidade da análise: (a) foram criticamente examinadas as afirmativas científicas e as práticas relacionadas a elas, evitando a apresentação de conclusões precipitadas; (b) os dados científicos disponibilizados foram usados para fundamentar o posicionamento com evidências e (c) meras declarações de aspectos de NdC foram evitadas. A análise explorou o conhecimento de NdC dos licenciandos além da dimensão declarativa, porque identificamos a coerência do uso com a justificativa estabelecida pelo licenciando no seu posicionamento. Nesse sentido, julgamos que o trabalho apresenta contribuições a área ao tornar mais claro que possíveis critérios utilizar para avaliar os conhecimentos de NdC na perspectiva apontada por Allchin.

Biografia do Autor

Paula Cristina Cardoso Mendonça, Universidade Federal de Ouro Preto

Licenciada em Química, Mestre e Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora da Universidade Federal de Ouro Preto desde 2009, atuando no Departamento de Química e no Programa de Pós-graduação em Educação. Foi professora visitante da Universidade de Santiago de Compostela em 2018. Coordenadora do grupo de pesquisa Práticas Científicas e Epistêmicas na Educação em Ciências (UFOP). Tem interesse pelos seguintes temas de pesquisa: práticas científicas, práticas epistêmicas, argumentação, modelagem, natureza da ciência, QSC e formação de professores de ciências.

Thais Mara Anastácio Oliveira, Universidade Federal de Ouro Preto

Licenciada em Química pela Universidade Federal de Ouro Preto (2016), Mestre em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Ouro Preto (2018) e Doutoranda em Educação nesta mesma instituição. É membro do grupo de pesquisa Práticas Científicas e Epistêmicas na Educação em Ciências (UFOP). Atuou como professora substituta na Universidade Federal de Ouro Preto lecionando disciplinas da área de Química e Ensino de Química (2018-2019). Possui interesse de pesquisa nos seguintes temas: analogias no Ensino de Ciências, natureza da ciência, formação de professores, saberes docentes e práticas epistêmicas.

Beatriz Carvalho Almeida, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais-Campus Avançado Ipatinga

Mestre em Educação, na linha de Educação em Ciências, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); e graduada em Química Licenciatura pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atuou como professora da rede estadual de Minas Gerais e como professora substituta do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (Campus Avançado Ipatinga). É membro dos grupos de pesquisa: Práticas Científicas e Epistêmicas na Educação em Ciências (UFOP) e Reagir - Modelagem e Educação em Ciências (UFMG). Possui interesse de pesquisa nos seguintes temas: Natureza da Ciência no Ensino de Ciências e História da Ciência.

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2021-05-21

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Artigos