Alteridade sem voz:
a Cracolândia de São Paulo no discurso do jornalismo de referência
DOI:
https://doi.org/10.5007/1984-6924.2020v17n2p164Resumo
Este trabalho analisa as mediações jornalísticas construídas acerca da operação realizada por agentes das polícias Civil e Militar de São Paulo, em maio de 2017, na região central da cidade conhecida como “Cracolândia”. O episódio resultou em ampla cobertura por veículos de imprensa, que cederam espaço às falas do prefeito e de autoridades policiais, enfatizando o problema de segurança pública e supostos prejuízos econômicos decorrentes da existência da Cracolândia. Focalizamos as coberturas construídas pelos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, considerando suas edições impressas publicadas em 22 de maio de 2017. A partir desses recortes, interessa-nos analisar, discursivamente, as representações de alteridade construídas pelas mídias jornalísticas em foco, discutindo as (in)visibilidades conferidas ao Outro.
Referências
BAKHTIN, M. M. Problemas da poética de Dostoiévski. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013.
BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
BUTLER, J. Relatar a si mesmo. Crítica da violência ética. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 2008.
GRILLO, S. V. C. Discurso alheio: polifonia e apreensão. In: SILVA, L. A. (Org.). A língua que falamos. Português: história, variação e discurso. 1. ed. São Paulo: Globo, 2005, p. 73-104.
GRILLO, S. V. C. “Esfera e campo”. In: BRAIT, B. (Org.). Bakhtin: outros conceitos-chave. 1ed. São Paulo: Contexto, 2006, p. 133-160.
GRILLO, S. V. C. Prefácio. A obra em contexto: tradução, história e autoria. In: MEDVIÉDEV, P. N. O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica. São Paulo: Contexto, 2012, p. 19-38.
HISAYASU, A.; CARVALHO, M. A. Polícia prende 38 na Cracolândia e região e desmonta feira de drogas. O Estado de S. Paulo, Caderno Metrópole, 22 mai. 2017, p. 16.
HISAYASU, A.; DIÓGENES, J.; CARVALHO, M. A. Dória: ‘Não há possibilidade de a Cracolândia voltar’. O Estado de S. Paulo, Caderno Metrópole, 22 mai. 2017, p. 17.
KAFKA, F. Um Médico Rural. São Paulo: Cia das Letras, 2003.
LIESENBERG, C. A inserção da imprensa no discurso do terceiro setor. Análise do Projeto Cidadão 2001 – Correio Popular e Coluna Social – Folha de S. Paulo. Dissertação de Mestrado. ECA/ USP, 2004.
MAINGUENEAU, Dominique. Gênese dos Discursos. Curitiba: Criar Edições, 2008.
MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2008.
PAGNAN, R.; GOMES, P. Operação na Cracolândia expõe ‘guerra fria’ entre tucanos Alckmin e Doria. Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, 22 mai. 2017, p. B4.
RODRIGUES, A.; SALDAÑA, P.; PAGNAN. Prefeitura de São Paulo põe guarda para fiscalizar entrada da cracolândia. Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, 23 mai. 2017, p. B3.
SANT’ANNA, E. Alguma coisa precisava ser feita na cracolândia, diz pesquisadora. Folha de S. Paulo, Caderno Cotidiano, 26 mai. 2018, p. B5.
SCHWARZ, R. Tribulação de um pai de família. In: O pai de família e outros estudos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978, p. 21-26.
SERELLE, M. A ética da mediação: aspectos da crítica da mídia em Roger Silverstone. Matrizes, v. 10, n. 2, maio/ago. 2016, p. 75-90. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/matrizes/article/view/119986/117262. Acesso em: 24 abr. 2018.
TELLES, Vera da Silva. Pobreza e cidadania. Editora 34: São Paulo, 2001.
VOLÓCHINOV, V. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. São Paulo: Editora 34, 2017.
ZAMIN, Angela. Jornalismo de referência: o conceito por trás da expressão. Revista Famecos, v. 2, n. 3, Porto Alegre, p. 918-942, set./dez.2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/4955/495551017008.pdf. Acesso em: 04 Jan 2019.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Os autores retêm os direitos autorais e direitos de publicação sobre suas obras, sem restrições.
Ao submeterem seus trabalhos, os autores concedem à revista Estudos em Jornalismo e Mídia o direito exclusivo de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Essa licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, desde que seja dado o devido crédito de autoria e à publicação original neste periódico.
Os autores também têm permissão para firmar contratos adicionais, separadamente, para distribuição não exclusiva da versão publicada do trabalho neste periódico (por exemplo: depositar em repositório institucional, disponibilizar em site pessoal, publicar traduções ou incluí-lo como capítulo de livro), desde que com reconhecimento da autoria e da publicação inicial na Estudos em Jornalismo e Mídia.
