Luta marajoara: lugar ou não lugar no currículo de uma IES pública do estado do Pará

Autores

  • Carlos Afonso Ferreira dos Santos Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Educação Básica, Universidade Federal do Pará https://orcid.org/0000-0003-4008-5478
  • Ivan Carlo Rego Gomes Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Educação Básica, Universidade Federal do Pará
  • Rogério Gonçalves de Freitas Universidade Federal do Pará (UFPA)

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8042.2020e65668

Palavras-chave:

Luta marajoara, Educação física, Formação de professores

Resumo

Este artigo objetivou entender o lugar da Luta Marajoara no currículo de licenciatura em Educação Física de uma Instituição de Ensino Superior (IES) pública da região norte do Brasil. Realizou-se pesquisa de campo a partir de entrevista semiestruturada direcionada a dois docentes ministrantes do conteúdo Lutas, além de grupo focal com estudantes concluintes. Os resultados revelaram que a Luta Marajoara possui lugar implícito no currículo e ausente nas práticas de ensino do curso em questão. Concluiu-se que esta prática corporal, de identidade brasileira e marajoara, não consegue se legitimar no currículo da formação inicial em Educação Física, resultado da marginalização de seu conhecimento. 

Biografia do Autor

Carlos Afonso Ferreira dos Santos, Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Educação Básica, Universidade Federal do Pará

Mestrando em Educação no Programa de Pós-Graduação em Currículo e Gestão da Escola Básica (PPEB/UFPA). Licenciado em Educação Física pela mesma instituição.

Ivan Carlo Rego Gomes, Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Educação Básica, Universidade Federal do Pará

Mestrando em Educação no Programa de Pós-Graduação em Currículo e Gestão da Escola Básica (PPEB/UFPA), professor de educação especial na Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC-PA). Licenciado Pleno em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (UEPA). Especialista em Educação Especial e Neuropsicopedagogia.

Rogério Gonçalves de Freitas, Universidade Federal do Pará (UFPA)

Doutor em sociologia pela Università degli Studi di Napoli Federico II- Itália. Mestre em sociologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e especialista em docência do Ensino Superior pela mesma instituição. Licenciado em Educação Física pela Universidade do Estado Pará (UEPA). 

Referências

ARROYO, Miguel. Currículo: território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF, 2018a, Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 20 mar. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares para os Cursos de Graduação. 2000. Disponível em: www.mec.gov.br/ sesu/ftp/DocDiretoria.doc. Acesso em: 20 fev. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CES nº 584, de 3 de outubro de 2018. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Educação Física. Brasília, DF, 2018b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/outubro-2018-pdf-1/99961-pces584-18/file. Acesso em: 12 set. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução nº 2, de 1 de julho de 2015. Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de Formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada. Brasília, DF, 2015. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/agosto-2017-pdf/70431-res-cne-cp-002-03072015-pdf/file. Acesso em: 10 ago. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/SEF, 1997.

CORREIA, Walter Roberto. Educação Física Escolar: o currículo como oportunidade histórica. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 30, n. 3, p.831-836, set. 2016.

CRUZ, Miguel Evangelista Miranda. Marajó: essa imensidão de ilha. São Paulo: M.E.M. Cruz, 1987.

CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Projeto Político Pedagógico do Curso de Educação Física. Universidade do Estado do Pará. Belém, 2007. Disponível em: https://paginas.uepa.br/ccbs/edfisica/files/PPP_UEPA.pdf. Acesso em: 13 fev. 2019.

DARIDO, Suraya Cristina. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

DARIDO, Suraya Cristina; RANGEL, Irene Conceição (coord.). A educação física na escola: implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GURGEL, Fabio. Brazilian Jiu Jítsu: manual pessoal de jiu-jítsu. Rio de Janeiro: Axcel, 2007.

IORA, Jacob Alfredo; SOUZA, Maristela da Silva; PRIETTO, Adelina Lorensi. A divisão licenciatura/bacharelado no curso de Educação Física: o olhar dos egressos. Movimento, Porto Alegre, v. 23, n. 2, p. 461-474, abr./jun. 2017.

MARCONDES, Nilsen Aparecida; BRISOLA, Elisa Maria. Análise por triangulação de métodos: um referencial para pesquisas qualitativas. Revista Univap, São José dos Campos, v. 20, n. 35, jul. 2014.

MORGAN, David. The Focus Group Guidebook. Thousand Oaks: Sage, 1998.

NASCIMENTO, Paulo Rogério; ALMEIDA, Luciano de. A tematização das lutas na Educação Física Escolar: restrições e possibilidades. Movimento, Porto Alegre, v. 13, n. 3, p. 91-110, set./dez. 2007.

NEIRA, Marcos Garcia (org.). Educação Física cultural: o currículo em ação. São Paulo: Labrador, 2017.

NEIRA, Marcos Garcia. Educação Física cultural: inspiração e prática pedagógica. 1. ed. Jundiaí: Paco, 2018.

NÓVOA, António. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, António (coord.). Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote, 1992. p. 13-33.

PACHECO, José Augusto. Currículo: teoria e práxis. Portugal: Porto Editora, 1996.

PIMENTA, Selma Garrido. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: PIMENTA, Selma Garrido (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez Editora, 1999. p. 15-34.

RUFINO, Luiz Gustavo Bonatto; DARIDO, Suraya Cristina. Análise da prática pedagógica das lutas em contextos não formais de ensino. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 23, n. 1, p. 12-23, 2015.

SACRISTÁN, José Gimeno. Currículo: uma reflexão sobre a prática. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.

SALLES, Vicente. O negro na formação da sociedade paraense: textos reunidos. Belém: Paka-Tatu, 2004.

SANTOMÉ, Jurjo Torres. As culturas negadas e silenciadas no currículo. In: SILVA, Tomaz Tadeu. Alienígenas na sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1995.

SANTOS, Carlos Afonso Ferreira dos; FREITAS, Rogério Gonçalves de. Luta Marajoara e memória: práticas “esquecidas” na educação física escolar em Soure-Marajó. Caderno de Educação Física e Esporte, Marechal Cândido Rondon, v. 16, n. 1, p. 57-67, jan./jun. 2018.

SILVA, Tomaz Tadeu. O currículo como fetiche. 1 ed. Belo horizonte: Autêntica, 2006.

SOARES, Carmen Lucia et al. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 2012.

Downloads

Publicado

2020-04-17

Edição

Seção

Artigos Originais