Interfaces entre Educação Física e Saúde Coletiva

contribuições para enfrentar as crises do nosso tempo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8042.2022.e89851

Palavras-chave:

Saúde pública, Ciência e saúde, Educação, Covid-19, Promoção da saúde

Resumo

O texto traz reflexões sobre as crises do nosso tempo - acentuadas pela pandemia do Covid19 - e suas interfaces com a Educação Física (EF) e a Saúde Coletiva (SC). A pandemia explicitou questões que estão, de forma direta ou indireta, envolvidas com o contínuo adoecimento coletivo e planetário e suas repercussões na vida em sociedade. Considerar a EF como campo científico fronteiriço entre as ciências humanas e sociais e as ciências biológicas e da saúde, e como movimento ideológico comprometido com a transformação social é fundamental nesse cenário. Pode-se aproveitar que as práticas corporais e atividades físicas se tornaram prioridade no conjunto de políticas e programas de promoção da saúde e desenvolvimento sustentável para resgatar sua natureza multidimensional vinculada à saúde e suas determinações sociais. Para tal, é importante problematizar a linguagem do risco do sedentarismo. A aproximação com a SC favorece tais movimentos.

Biografia do Autor

Júlia Aparecida Devidé Nogueira, UnB

Doutora em Ciências da Saúde

Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Brasília, Brasil

Dais Gonçalves Rocha, UnB

Doutora em Saúde Pública

Universidade de Brasília, Departamento de Saúde Coletiva, Brasília, Brasil

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2022-07-01

Edição

Seção

Seção Temática