Crianças belas, sadias e robustas: o futuro da raça brasileira nas políticas de proteção à infância em Santa Catarina nos idos de 1940

Rosa Batista, Joana Célia Passos, Leonete Luzia Schmidt

Resumo


O presente artigo analisa a relação entre o discurso médico-higienista, a eugenia e a consolidação de um pensamento racial no atendimento à pequena infância nos anos 1940, em Santa Catarina. Práticas médico-higiênicas são organizadas e difundidas pelo Departamento de Saúde Pública do estado por meio de campanhas em prol da formação de uma raça forte e sadia. Entre elas, o Concurso Infantil de Robustez e Beleza, que premiava as mães das crianças saudáveis e eugenicamente belas. O Concurso Infantil de Robustez e Beleza foi promovido e intensamente divulgado pela imprensa da época, em particular o jornal A Gazeta, que atuava em consonância com o projeto de educação higiênica e eugênica do governo Nereu Ramos. A pesquisa apontou para a evidência de um projeto nacional que visava à regeneração das crianças, especialmente as negras e pobres. Tomamos como fontes para o levantamento de dados os jornais A Gazeta e Republica e relatórios da Legião Brasileira de Assistência, que tratam do concurso, do Centro de Puericultura, Proteção à Infância e à Maternidade, Assistência Profilática, Cozinha Dietética e Serviço de Higiene da capital.


Palavras-chave


Políticas para Infância; Eugenia; Higiene; Raça

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PDFA

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-795X.2019.e59244



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