Juventude e pobreza: a educação e as políticas públicas sob o ideário do Banco Mundial no contexto do aumento das desigualdades sociais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2020.e61865

Palavras-chave:

Juventude, Pobreza, Banco Mundial

Resumo

O artigo apresenta parte dos resultados de uma pesquisa bibliográfica e documental que enfocou as orientações emanadas por Organismos Multilaterais, notadamente pelo Banco Mundial, para a construção de políticas públicas de combate ou alívio à pobreza e seu direcionamento focalizado para os diferentes pobres, em particular para a juventude. A pesquisa objetivou identificar os principais componentes do processo de formulação das políticas públicas e sua relação com as definições conceituais presentes nos documentos que as orientam, bem como a quais interesses visam responder. Identifica que a educação assume centralidade no conjunto de políticas sociais subjugadas ao ideário de alívio à pobreza e nas políticas para juventude, como soluções paliativas das desigualdades sociais e da pobreza, em particular dos jovens, no contexto do desemprego crônico típico da atual fase de desenvolvimento do capitalismo. Identifica que as orientações do Banco Mundial são assumidas por governos de diversos matizes políticos, porém alinhados ao capital, e que provocam mudanças nas políticas sociais, tornando-as focalizadas e compensatórias, e demonstra a articulação presente neste processo com mudanças conceituais realizadas para obnubilar a realidade social, resultando em políticas que segregam a juventude.

Biografia do Autor

Mauro Titton, Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC

Professor do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC 

Adriana D'Agostini, Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC

Professora do Departamento de Estudos Especializados em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC

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Publicado

2020-10-28