A pesquisa narrativa como uma virada ética: insubordinações criativas e transformação de si
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e110872Parole chiave:
Pesquisa narrativa, Anos iniciais da educação básica, Virada éticaAbstract
O artigo aborda a experiência das pesquisas de doutorado das respectivas autoras, ambas atuantes com crianças e professoras dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em investigações relacionadas a narrativas em Educação Estatística. O texto apresenta uma situação de cada uma de suas teses, nas quais elas se depararam com a necessidade de ecoar as falar ou acolher o dizer, sentir e pesquisar “com” os sujeitos participantes: crianças e professoras, pessoas geralmente invisibilizadas pela academia ou “usadas” como cobaias em testes de pesquisadores que se colocam em um lugar de superioridade. Na perspectiva de um compromisso político e ético com as pessoas e suas subjetividades, as pesquisadoras deparam-se com sua própria identidade e a transformação de si, ao mesmo tempo em que rompem com uma visão dominadora de fazer ciência. A narrativa é adotada como metodologia de pesquisa na investigação com a infância e com a docência. O artigo tem como objetivo evidenciar que, no contar de histórias de vida, de profissão e pesquisa, bem como no cuidado com as histórias de vida dos participantes, as autoras assumem um posicionamento insubordinado e criativo aos modos tradicionais da pesquisa científica, um passo importante para a virada ética pela pesquisa narrativa. Isso as torna mais próximas da realidade, mais capazes de compreender o papel do professor, os movimentos de aprendizagem das crianças e as relações teóricas e metodológicas que perpassam a escola e as ciências da educação; um caminho para uma consciência da necessidade de sermos mais empáticos e sensíveis em nossas vidas, assim como em nossas pesquisas.
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