“Resolva de cabeça e confira na calculadora”: análise de atividades em livros didáticos dos anos finais do ensino fundamental

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1981-1322.2021.e75128

Palavras-chave:

Educação Matemática, Ensino de ciências, Ensino e aprendizagem de matemática

Resumo

Muitas são as pesquisas a respeito do uso da calculadora em aulas de Matemática. No entanto, são escassas as referentes à análise de livros didáticos. Acreditamos que propostas de atividades com calculadora em situações de investigação, possuem potencial para romper a resistência do não uso desse recurso em aulas de Matemática, fomentando formação continuada aos professores que utilizam. Assim, neste artigo, analisamos, à luz dos ambientes de aprendizagem da Educação Matemática Crítica, atividades com calculadora em uma coleção de livro didático dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) mais distribuída pelo Programa Nacional do Livro Didático 2017. Constatamos que, o ambiente de aprendizagem, cenário para investigação com referência à matemática pura (tipo 2), é o que mais explora o potencial da calculadora, pois, atribui significado ao uso desse recurso em situações de investigação e argumentação matemática. Em relação às atividades analisadas, identificamos um total de 67 atividades com calculadora e observamos a predominância no eixo números e, referência à matemática pura no âmbito de lista de exercício. Atividades relacionadas a cenários para investigação foram escassas. Esses resultados evidenciam limitações para o trabalho didático com a calculadora. No cenário atual, não é suficiente utilizá-la apenas como um recurso de verificação de resultados. É necessário, portanto, que os autores de livros didáticos proponham atividades com calculadora que atribuam significado ao seu uso, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades e raciocínio crítico dos estudantes.

Biografia do Autor

Luan Costa de Luna, Universidade Federal de Pernambuco

Doutorando e Mestre do Programa de Pós Graduação em Educação Matemática e Tecnológica da Universidade Federal de Pernambuco. Licenciado em Matemática pela Universidade Estadual da Paraíba (2016). Membro do Grupo de Pesquisa do CNPq, Grupo de Estudo em Educação Matemática e Estatística - GPEME e do - Grupo de Pesquisa em Educação Estatística no Ensino Fundamental - GREF. Foi membro do Projeto de Pesquisa em Rede Observatório da Educação/CAPES Edital 2012 (UFMS/UEPB/UFAL). Intercambista Internacional do Programa Santander na Universidad de Granada/Espanha (2015). Participou do Projeto de Extensão Curso Pró-ENEM como Professor e Coordenador da área de Matemática (2012 -2016) e do Projeto de Extensão UEPB sem Fronteiras (2016). Atua no campo de estudo e pesquisa da Educação Matemática, em especial sobre Educação Matemática Crítica, uso de calculadoras nas aulas de Matemática e Educação Estatística.

Liliane Maria Teixeira Lima de Carvalho, Universidade Federal de Pernambuco

Doutorado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2008); Formação doutoral em Psicologia da Educação Matemática pela Oxford Brookes University, Inglaterra (2003-2007); Mestrado em Psicologia Cognitiva pela UFPE (1998); Graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (1983). Atualmente é Professor Associado II do Departamento de Administração Escolar e Planejamento Educacional do Centro de Educação da UFPE, atuando como docente nos Cursos de Licenciaturas; docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica, EDUMATEC, e Coordenadora das Licenciaturas Diversas do Centro de Educação. É líder do Grupo de Pesquisa em Educação Matemática e Estatística, GPEME, e desenvolve e orienta estudos que abordam temas relacionados com o ensino e a aprendizagem de conhecimentos de Matemática e Estatística e suas interfaces com a formação de Professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio e Educação de Jovens e Adultos em contextos escolares urbano, do campo e indígena. Seus estudos abordam ainda aspectos da Gestão escolar e planejamento do ensino da Matemática e Gestão dos usos das Tecnologias nos espaços das escolas públicas, analisando suas implicações para a formação de professores. 

Referências

Adler, J. (2000). Conceptualising resources as a theme for teacher education. Journal of Mathematics Teacher Education, v. 3(3), 205-224.

Alro, H. Skovsmose, O. (2006). Diálogo e Aprendizagem em Educação Matemática. Tradução de Orlando de Andrade Figueiredo. Belo Horizonte: Autêntica Editora.

Brasil. (1998). Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Matemática. 5ª a 8ª séries. Brasília: MEC/SEF.

Brasil. (2017). Ministério da Educação. PNLD 2017: Matemática – Ensino fundamental anos finais. Brasília, 155 p.

Brasil. (2017). Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_publicacao.pdf. Acesso em: 13 de ago.

Carvalho, J. B. P. Lima, P. F. (2010). Escolha e uso do livro didático. In: Matemática: Ensino Fundamental. João Bosco Pitombeira Fernandes de Carvalho/coord. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica.

Civiero, P. A. G. (2009). Transposição Didática Reflexiva. 179f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Matemática). Porto Alegre: UFRGS.

Luna, L. C. Lins, A. F. (2017). O não uso de calculadoras em aulas de Matemática: uma questão de formação. Educação Matemática em Revista - RS, v. 1, p. 144-153.

Mocrosky, L. F. (1997). Uso de calculadoras em aulas de Matemática: o que os professores pensam. 206f. Dissertação de Mestrado, UNESP- Rio Claro.

Parra, C. (1986). Cálculo mental na escola primária. Porto Alegre: Artes médicas.

Rodrigues, A. S. G. (2015). Exploração de calculadora no desenvolvimento de uma cultura de argumentação nas aulas de Matemática. 145f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) - Universidade Estadual da Paraíba- UEPB, Campina Grande.

Sá-Silva, J. R. Almeida, C. D. Guindani, J. F. (2009). Pesquisa documental: pistas teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de História & Ciências Sociais, v. 1(1), 1-15.

Santana, J. E. B. Lima, A. F. Silva Filho, G. B. (2014). O uso de calculadora nas aulas de Matemática do Ensino Médio: o que traz o livro didático? In: Congresso Nacional de Educação, 1. Anais... Campina Grande: Realize Eventos e Editora, 1-5.

Selva, A. C. V. Borba, R. E. S. R. (2010). O uso de calculadora nos anos iniciais do ensino fundamental. Belo Horizonte: Autêntica.

Skovsmose, O. (2000). Cenários para Investigação. Bolema – Boletim de Educação Matemática. Rio Claro, n. 14, 66-91.

Skovsmose, O. (2007). Educação Crítica: Incerteza, Matemática, Responsabilidade. São Paulo: Cortez.

Skovsmose, O. (2014). Um convite à educação matemática crítica. Campinas – SP: Papirus.

Downloads

Publicado

2021-03-09

Edição

Seção

Artigos