Da formação comunitária à formação universitária (e vice e versa): novo perfil dos tradutores e intérpretes de língua de sinais no contexto brasileiro

Vanessa Regina de Oliveira Martins, Vinícius Nascimento

Resumo


Neste artigo, objetiva-se realizar uma discussão sobre o novo perfil de tradutores e intérpretes de língua de sinais que está se constituindo no Brasil a partir das políticas públicas de incentivo à formação deste profissional. Analisa-se, qualitativamente, um questionário semiaberto respondido por alunos de um curso de Bacharelado em Tradução e Interpretação em Libras e Língua Portuguesa de uma universidade federal localizada no Estado de São Paulo. Os resultados apontam para uma busca pela área não mais marcada pela relação prévia com os surdos ou para a diplomação de uma atividade já praticada, mas pela opção de pontuação atribuída na lista de escolha profissional do Sistema de Seleção Unificado (SISU). Isso remonta a hipótese de um novo perfil profissional distinto do das décadas de 1980, 1990 e 2000. Com a visibilidade e disseminação da língua de sinais os ingressantes têm enxergado nesta língua mais uma opção de formação para o mercado profissional. Problematiza-se, então, a necessidade de se promover uma formação que congrega, desde o primeiro ano, sujeitos não falantes da Libras, bem como seus desafios didáticos e pedagógicos na formação e, com isso, na promoção da acessibilidade comunicacional das comunidades surdas brasileiras.

 


Palavras-chave


Tradução; Interpretação; Libras; Formação; Comunidade Surda

Texto completo:

PDF/A

Referências


ASSIS SILVA, C. Cultura Surda: agentes religiosos e a construção de uma identidade. São Paulo: Terceiro Nome, 2012.

BRASIL. Viver Sem Limites: Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 2013. Disponível em: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf

Acesso em: 07/06/2015.

______. Decreto 7.612 de 17 de novembro de 2011. Brasília: Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7612.htm

________. Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002. Brasília: Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em:

http://www.presidencia.gov.br/CCIVIL/LEIS/2002/L10436.htm.

Acesso em: 07/01/2015.

______. Decreto nº 5626 de 22 de dezembro de 2005. Brasília: Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em:

http://www.presidencia.gov.br/ccivil/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm.

Acesso em: 07/01/2015.

______. Lei nº 12.319 de 1º de setembro de 2010. Brasília. Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12319.htm

Acesso em: 07/05/2015.

______. Decreto nº 5296 de 2 de dezembro de 2004. Brasília: Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm

Acesso em: 07/06/2015.

______. Lei nº 10.098 de 8 de novembro de 2000. Brasília. Brasília. Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Leis/L10098.htm

Acesso em: 07/06/2015.

CALVET, J. L. As políticas linguísticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2007.

COKELY, D. Shifiting positionality: a critical examination of the turning point in the relationship of Interpreters and the Deaf Community. In: MARSCHARK, M.; PETERSON, R.; WINSTON, E. (Orgs). Sign Language Interpreting and Interperter Education: directions for research and practice. New York: Oxford University Press, 2005.

DELEUZE, G. Os intelectuais e o poder: Conversas entre Michel Foucault e Gilles Deleuze. In: FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. Trad. de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

FOUCAULT, M. Microfísica do Poder. Trad. de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

______. O governo de si e dos outros. Curso dado no Collége de France (1982-1983). São Paulo: Martins Fontes, 2010.

LACERDA, C. B. F. Intérprete de libras em atuação na educação infantil e no ensino fundamental. Porto Alegre: Mediação, 2009.

LEITE, E. M. C. Os papéis dos intérpretes de LIBRAS na sala de aula inclusiva. 2004. 182f. Dissertação (Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004.

LOPES, M. C. Surdez e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.

LOPEZ, M. V. O conceito de experiência em Michel Foucault. Revista Reflexão e Ação. Santa Cruz do Sul, v.19, n2, 2011, p.42-55.

Disponível em: http://online.unisc.br/seer/index.php/reflex/article/view/2367/1900

Acesso em: 15/06/2015

LUZ, R. D. Cenas surdas: os surdos terão lugar no coração do mundo? São Paulo: Parábola Editorial, 2013.

MARTINS, V.R.O. Educação de surdos no paradoxo da inclusão com intérprete de língua de sinais: relações de poder e (re) criações do sujeito. (Dissertação) Mestrado em Educação. Universidade Estadual de Campinas. Campinas/SP, 2008.

______. Posição Mestre: desdobramentos foucaultianos sobre a relação de ensino do Intérprete de Língua de Sinais Educacional. (Tese). Doutorado em Educação. Universidade de Campinas, Campinas/SP, 2013.

METZGER, M. Os destaques das pesquisas sobre interpretação de língua de sinais no contexto acadêmico da interpretação comunitária. In: QUADROS, R.M.de (Org.). Tradução e Interpretação de língua de sinais. Florianópolis: Cadernos de Tradução, v.2, n. 26, 2010. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/2175-7968.2010v2n26p13

Acesso em: 29/06/2015

NASCIMENTO, M. V. B. Interpretação da língua brasileira de sinais a partir do gênero jornalístico televisivo: elementos verbo-visuais na produção de sentidos.

(Dissertação). Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2011.

NASCIMENTO, V. Dimensão ergo-dialógica do trabalho do tradutor e intérprete de libras/português: dramáticas do uso de si e debate de normas no ato interpretativo. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, vol. 14, n. 4, Belo Horizonte, 2014. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1984-639820145604

Acesso em: 15/06/2015

______. Interpretação da Libras para o Português na modalidade oral: considerações dialógicas. Tradução & Comunicação. Revista Brasileira dos Tradutores. N. 24, São Paulo, 2012.

Disponível em: http://sare.anhanguera.com/index.php/rtcom/article/view/3733/1368

Acesso em: 17/06/2015

PÖCHHACKER, F. Introducing Interpreting Studies. New York: Routledge, 2004.

QUADROS, R. M. Confiança: tradutor e intérprete de Libras/Português com o público envolvido. (Palestra). IV Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2014.

________; SZEREMETA, J. F.; COSTA, E. FERRARO, M. L.; FURTADO, O.; SILVA, J. C. Exame Prolibras. Florianópolis: Universidade Federal de Santa

Catarina, 2009.

________; MASSUTI, M. CODAS brasileiros: Libras e Português em zonas de contato. In: QUADROS, R. M.; PERLIN, G. (Orgs). Estudos Surdos II. Petrópolis: Editora Arara Azul, 2007.

________. O tradutor intérprete de Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEESP, 2004.

ROMEIRO, S. A. L. V.; OLIVEIRA, I. N. SILVÉRIO, C. C. P. O trabalho do Tradutor Intérprete de Libras-Português nas Universidades Federais Brasileiras. Anais do IV Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa. Florianópolis: UFSC, 2014. Disponível em: http://www.congressotils.com.br/anais/2014/2957.pdf

Acesso em: 15/06/2015

ROSA, A. S. Entre a visibilidade da tradução da língua de sinais e a invisibilidade da tarefa do intérprete (Dissertação). Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação. Campinas, SP: UNICAMP, 2005.

SANTOS, S. A. Tradução/Interpretação de Língua de Sinais no Brasil: uma análise das teses e dissertações de 1990 a 2010. (Tese) Doutorado em Estudos da Tradução. Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.

______. Tradução e interpretação de língua de sinais: deslocamentos nos processos de formação. In: QUADROS, R.M.de (Org.). Tradução e Interpretação de língua de sinais. Florianópolis: Cadernos de Tradução, v.2, n. 26, 2010.

. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/2175-7968.2010v2n26p145/14227 Acesso em: 29/06/2015.

SCHWARTZ, Y. A comunidade científica ampliada e o regime de produção de saberes. Trabalho e Educação, Belo Horizonte, n. 7, 2000. Disponível em: http://www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/trabedu/article/viewFile/1681/1274

Acesso em: 15/06/2015

¬¬¬______. Trabalho e Saber. Trabalho & Educação - vol.12, n.1 - jan/jul. 2003. Disponível em: http://www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/trabedu/article/viewFile/1227/989

Acesso em: 15/06/2015

SOBRAL, A. U. Dizer o "mesmo" a outros: ensaios sobre tradução. São Paulo: SBS, 2008.

SOUZA, R.M. Língua de Sinais e Escola: Consideração a partir do texto de regulamentação da língua brasileira de sinais. In: ETD (Educação Temática Digital): Educação dos surdos e língua de sinais. V.7 n.2, 2006. pp. 263-278. Disponível em: http://143.106.58.55/revista/viewarticle.php?id=127&layout=abstract.

Acesso em: 30/05/2015.

WADENSJÖ, C. Interpreting as interaction. London: Pearson Education, 1998.




DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2015v35nesp2p78



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.