Os intérpretes e a formação do Brasil: os quatro primeiros séculos de uma história esquecida

Dennys Silva-Reis, Marcos Bagno

Resumo


A formação histórica do Brasil muito deveu ao trabalho indispensável dos intérpretes desde o chamado “descobrimento” até bem avançado o século XIX. Neste artigo, destacamos a necessidade de conceder maior visibilidade aos intérpretes e à sua contribuição para a história cultural e linguística do Brasil, de modo que se comece a traçar um retrato mais fidedigno das complexas relações entre línguas, povos e culturas que caracterizaram os quatro primeiros séculos dessa história. Para tanto, destacamos o papel desses agentes culturais para uma reescrita da história da tradução no Brasil. Estes que permanecem marginalizados ou mesmo invisíveis na historiografia geral se tornam aqui agentes primordiais para a formação histórica do Brasil em todas as suas etapas.


Palavras-chave


Intérprete; História do Brasil; Contato linguístico; História da interpretação; Tradução oral

Texto completo:

PDF/A

Referências


ABREU, Márcia. Os Caminhos dos livros. 1. ed. Campinas: Mercado de Letras/ALB/FAPESP, 2003. v. 1. 382p .

ABREU, Márcia. Trajetórias do romance: circulação, leitura e escrita nos séculos XVIII e XIX. 1. ed. Campinas / São Paulo: Mercado de Letras / FAPESP, 2008. v. 1. 648p.

AGNOLIN, A. Jesuítas e selvagens: a negociação da fé no encontro catequético-ritual americano-tupi (séc. XVI-XVII). São Paulo: Humanitas, 2007.

ALVES FILHO, P. E. “As traduções do jesuíta José de Anchieta para o tupi

no Brasil colonial”. In: Milton, John. TRADTERM, 17: A tradução no Brasil: história, sociedade e política. São Paulo. 2010. p. 11- 30. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/40280/43165

BOTTMANN, D.. Bibliografia Russa Traduzida no Brasil (1900-1950). In: RUS - Revista de Literatura e Cultura Russa - Número 4. São Paulo: USP, 2015.

CANNECATTIM, B. Diccionario da Lingua Bunda ou Angolense, explicada na portugueza, e na latina .Lisboa: Impressão Régia, 1804.

CASTRO Jr, J. B.. A língua geral em São Paulo: instrumentalidade e fins ideológicos. Dissertação de mestrado em Linguística. Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia. Salvador: UFBA, 2005. Disponível em: < https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/16201/1/João%20Batista%20de%20Castro%20Júnior.pdf >.

DANIEL, J.. Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.

ENDERS, A.. Nouvelle Histoire du Brésil. Paris: Editions Chandeigne, 2008.

FARACO, C. A.. História sociopolítica da língua portuguesa. São Paulo: Parábola, 2016.

GASPAR, T. de S.. Palavras no chão: murmurações e vozes e Minas Gerais no século XVII. São Paulo: AnnaBlume, 2011.

GODOY, J. E. P.. As alfandegas de Pernambuco. Brasília: ESAF, 2002.

GOLDFELD, M. S.. O Brasil, o Império Otomano e a sociedade internacional: contrastes e conexões (1850-1919). Tese em História, Política e Bens Culturais. Fundação Getúlio Vargas. Rio de Janeiro: FGV, 2012.

HANKS, W.F.. Converting words: Maya in the age of the cross. Berkley/Los Angeles/Londres: University of California Press, 2010.

HARDEN, A. R. de O.. Manuel Jacinto da Gama: Ciência e tradução no final do século XVIII. In: Tradução em Revista 8: Contribuições para uma Historiografia da Tradução. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2010. 1-19. Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/15902/15902.PDFXXvmi=W2xh37FOzi7fxMw1NU8ddxAoNCTe9C96E8nIg4wPmF5UrCWfx5tL44bRG57QHhWmpk6GoEvMjCHLfF2NLvAPBLHiRO9A66xwr4dQIKD3mlPC2RqNo2D0OljHbshizfP1k4S3Ow7cTWOVOgJejnf9JzQU28dCo3EJ7xNW5U90RZVHfGVA4bJNLAJNJxq925T9DI7JEgJwfGevmb7qnQf9r0Wcxnl0tga7ZhRDzBaPhplFBs7Zkn8Mn60mulm0Cw8B

HARDEN, A. R. de O.. Brasileiro tradutor e/ou traidor: Frei José Mariano da Conceição Veloso. In: Cadernos de Tradução v. 1 n. 23. 131-148 Florianópolis: UFSC. 2009. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/2175-7968.2009v1n23p131/11458

HELLER, R. J.. Judeus do Eldorado: reinventando uma identidade em plena Amazônia. Rio de Janeiro: E-papers, 2010.

HEMMING, J.. Ouro vermelho: a conquista dos índios brasileiros. Tradução Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: EDUSP, 2007.

HERNANDES, P. R.. O teatro de José de Anchieta: Arte e Pedagogia no Brasil Colônia. Campinas: Alínea/Fapesp, 2008.

HIRSCH, I.. A tradução e a Inconfidência Mineira. In: Tradução em Revista 5 : tradução e/na História. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2008. Disponível em: http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/12699/12699.PDFXXvmi=vntZA8DD525uNibasb7OW3PQgO5WmR4SfzRPHvtMxzimStxlFFbCI1t0Qzxdq27HC0xjv275BpruU1RAG3dp4IpUho9Jqgq4gZnN2vSEWl9Rm1s34Ht9pU5HjfrLvTPNTeBVKuAHQJAdL3hQKM0bH6T1llMSfDG9Ri5COGkFqUTdZc4KZ5VGbPIwcuqr98C1qIDgpxVQTQ4S38D2eAJpprxDxp67xI80rMgRLdJF4Nz7WcabNTCdmBRk1xrAGAA9

HIRSCH, I.. Versão Brasileira: traduções de autores de ficção em prosa norte-americanos do século XIX. São Paulo: Alameda, 2006.

LEVY, D. T.. Judeus e marranos no Brasil holandês - pioneiros na colonização de Nova York” (século XVII). Dissertação de mestrado em História Social. Universidade de São Paulo (USP), 2008.

LUCCHESI, D.. Língua e sociedade partidas. São Paulo: Contexto, 2015.

MACHADO, C. de A.. Notas sobre as primeiras traduções em língua portuguesa: astrologia e desenvolvimento naútico na Península Ibérica. In: Tradução em Revista 18: Historiografia da tradução no Brasil. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2015.

MACHADO, C. de A.. O papel da tradução na transmissão da ciência: o caso do tetrabiblos de Ptolomeu. Rio de janeiro: Mauad X, 2012.

MAGALHÃES, C. O selvagem : Trabalho preparatório para aproveitamento do selvagem e do solo pore le ocupado no Brazil. Rio de Janeiro: Typ. da Reforma, 1876.

MARIANI, B.. Quando as línguas eram corpos – sobre a colonização linguística portuguesa na África e no Brasil. In: Orlandi, E. P.. Política linguística no Brasil. Campinas: Pontes Editora, 2007.

MARIN, J. O. B.. A formação de trabalhadores brasileiros: a experiência do Colégio Isabel. In: História. São Leopoldo: Unisinos, 2009.

MILTON, J. . O Clube do Livro e a Tradução. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração, 2002.

MILTON, J.. Cartas Chilenas: the Pseudotranslation of Thomas de Gonzaga. In: Tradução em Revista 18: Historiografia da tradução no Brasil. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2015. http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/24862/24862.PDFXXvmi=qSZpmFPavjJkgbkrmQv1WP11QQO8PDHhvGHTmw4SQOe81ABnq8onxpoPheZ7RGpom7iKFnDvdRFesgDTp2iosIeKWeSPUifiqz36xHDbAiq3A4x06goAZEkWSeNOw38ZCb5ASIMs1dwChuDoL3ZLIkJBzwq7Az6dLbOFUB9WPGz7bdvxgvJZQtBp12xCCEPnQE3MgcJ6Tje5wL4NhON8iozjr7V4MMsDrwpJKaPEt5K1QOP8DDhV2QfuZczL03ps

OLIVEIRA, J.. Margens escritas: a vida e o trabalho dos remeiros do São Francisco. Caminhos de Geografia. Uberlândia: UFU, 2013. p. 76-90.

OLIVEIRA, L. E. M. de. As origens da profissão de tradutor público e intérprete comercial no Brasil(1808 – 1943). In: Claritas: Revista do Departamento de Inglês da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2005. p. 1-16.

REIS, D. da S.. A relevância da tradução no Oitocentos brasileiro. In: Anais do III encontro de História do Império brasileiro: cultura e poder no Oitocentos. São Luís: UFMA, 2012. CD.

REIS, D. da S.. Impactos da Tradução escrita no Brasil do século XIX. In: Tradução em Revista 18. Rio de Janeiro: PUC-RIO, 2015. http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/24872/24872.PDFXXvmi=ASvn2BE0LtunZ18NfKoAGzM7qsBTbETMwpaA2PAOj6dj8m8n7wxO6LWxfxsqcmeKNpkPfVFA3STbf2znAxdGkafAII2V6hHTH2JWZpx2irezuOW5nbMIl2j4Lm1REIMmLwkLWSOgl3PQRNVfZJZkMipxGrqkaeIWL3IIVwZhAP9sD6JCPIxC2nbIQC41RMxDQHmNem5PcfjQl3sbMrNOQZxHCDItpH8hou5DSbt5qNVMQpZERMsIM2ppF9T6R3ng

SALA, Dalton (org.). Benedito Calixto: Memória Paulista. São Paulo: Pinacoteca de São Paulo, 1990.

SCHWARCZ, L.; STARLING, H. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

WYLER, L.. Línguas, poetas e bacharéis: uma crônica da tradução no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.




DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7968.2016v36n3p81



Cadernos de Tradução, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 2175-7968.