Como Se Chega a Ser o Que Se é: formação-experiência como atitude despossível na produção de subjetividades TILSP

Autores

  • Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado Universidade Federal do Espírito Santo
  • Cassio Pereira Oliveira Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2021.e84368

Palavras-chave:

Formação, Tradutor e Intérprete de Libras-Português, Experiência

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar e problematizar como, no processo formativo, vêm sendo constituídas as tecnologias de modulação nas condutas dos Tradutores e Intérpretes de Libras-Português. Assim, intentamos olhar para a formação como tema a partir de uma perspectiva ética e estética, decompondo seu conceito a partir dos processos de sujeição, bem como as linhas de fugas que produzem subjetividades específicas. A formação aqui discutida não é a possível e nem a impossível, mas uma formação com a justaposição da palavra experiência como uma despossibilidade. Como procedimento teórico-metodológico, utilizamos as conversas, de forma on-line devido ao isolamento social imposto pela pandemia mundial que estamos vivendo, com 122 TILSP de todos as regiões do Brasil. Na análise dos dados, trabalhamos com as quatro figuras subjetivas da crise de Hardt e Negri (2014), a saber: TILSP endividado, mediatizado, securitizado e representado. Como recorte dos resultados desta pesquisa, neste artigo, escolhemos o TILSP securitizado para problematizar e decompor o conceito de formação e nas vozes ecoadas nas conversas com os diferentes TILSP dos diferentes espaços/lugares a formação-experiência, então, torna-se um caminhar em direção do encontro das diferentes singularidades, produzindo, assim, sujeitos-potências capazes de rebelar-se e produzirem-se em figuras de poder a partir de subjetividades outras não nomeadas.

Biografia do Autor

Lucyenne Matos da Costa Vieira-Machado, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutora (2012) e Mestre (2007) em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGE- UFES). Pós-doutora em Educação (2015) pelo Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Espírito Santo, na qual atualmente é professora Adjunta I da disciplina Língua Brasileira de Sinais (Libras) no Centro de Ciências da Saúde (CCS), curso de Fonoaudiologia. Professora e orientadora de mestrado do curso de Pós-graduação em Educação (PPGE/UFES) na linha Diversidade e Práticas Educacionais Inclusivas. Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Libras e Educação de Surdos (GIPLES/CNPq-UFES) e pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Inclusão (GEPI/CNPq-UNISINOS). Tem experiência na área de Educação e Educação Especial (com ênfase em Educação de Surdos), atuando, principalmente, nos seguintes temas: Inclusão, Acessibilidade, Subjetivação, Libras, Surdos, Estudos Surdos. E-mails: luczarina@yahoo.com.br/ lucyenne.machado@ufes.br.

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Publicado

2021-12-24