A compreensão dos estudantes sobre o papel da imaginação na produção das ciências

Helder de Figueirêdo e Paula, Antônio Tarciso Borges

Resumo


O uso da imaginação e a produção de modelos é uma das marcas distintivas da atividade científica. Ainda assim, na educação básica, as ciências são normalmente caracterizadas como sendo uma mera coleção de fatos obtidos mediante a observação rigorosa realizada por meio de métodos objetivos de investigação. Essa visão de ciência empirista-indutivista deixa pouco espaço para compreendermos o caráter provisório do conhecimento e o papel da imaginação na produção das ciências. Neste trabalho relatamos alguns resultados de uma pesquisa destinada a promover imagens mais sofisticadas da atividade científica entre estudantes de uma turma de Ensino Fundamental, acompanhados enquanto cursavam a 7a e a 8a séries. Nesse período, os estudantes tiveram a oportunidade de lidar com um professor de ciências especialmente comprometido com o objetivo de sofisticar o conhecimento epistemológico de seus estudantes e motivado para participar de nossa pesquisa. Os resultados indicam que os estudantes reconhecem a importância e a legitimidade do uso da imaginação na produção das ciências. Eles parecem ter sido paulatinamente convencidos durante os dois últimos anos do Ensino Fundamental de que para explicar é preciso ir além do que se pode efetivamente observar. Os estudantes adquiriram a convicção de que não se avalia a qualidade de uma explicação ou teoria levando-se em conta se ela contém mais ou menos elementos extraídos da imaginação. O critério para realizar tal avaliação desloca-se para o julgamento do acordo entre teorias, explicações, observações e evidências.


Palavras-chave


Ensino de ciências; Natureza das ciências; Conhecimento epistemológico dos estudantes

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7941.2008v25n3p478

 


Cad. Bras. Ens. Fís. UFSC, Florianópolis, SC, Brasil - - - eISSN 2175-7941 - - - está licenciada sob Licença Creative Commons
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