Mobilizações operárias e estratégias patronais: disputas em torno da Lei de Férias em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro (1930-1935)

Autores

  • Guilherme Machado Nunes Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2015v7n14p167

Palavras-chave:

Greves, Lei de Férias, Luta por direitos, Associações patronais

Resumo

Aprovada em dezembro de 1925, a Lei de Férias ainda é uma medida que tem recebido pouca atenção da historiografia. O direito parece ter surgido “de cima para baixo”, na tentativa do Estado brasileiro de legislar sobre matérias que não constituíssem as clássicas pautas de reivindicação da classe trabalhadora. Assim, em vez de aparecerem como conquistas, as férias apareceriam como um “presente”. Contudo, especialmente a partir de sua aprovação, a Lei de Férias se tornou uma bandeira e foi capaz de articular setores do movimento operário em torno do seu cumprimento ao redor do país. Dessa forma, este trabalho pretende realizar um balanço das mobilizações operárias em torno dessa lei, assim como algumas tentativas de burla da burguesia industrial brasileira entre os anos de 1930 e 1935, nas cidades de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo.

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Biografia do Autor

Guilherme Machado Nunes, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrando no PPGH da mesma instituição.

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Publicado

2016-06-28

Como Citar

NUNES, G. M. Mobilizações operárias e estratégias patronais: disputas em torno da Lei de Férias em Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro (1930-1935). Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 7, n. 14, p. 167-188, 2016. DOI: 10.5007/1984-9222.2015v7n14p167. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/1984-9222.2015v7n14p167. Acesso em: 1 dez. 2021.