A “banalidade do mal” socioambiental na história da indústria carbonífera catarinense: acidentes, sofrimentos e mortes na segunda metade do século XX

Autores

  • Carlos Renato Carola Professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catari-nense (PPGE/UNESC)
  • Giovani Felipe Professor do Instituto Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2015v7n14p99

Palavras-chave:

Minas de carvão, Acidentes fatais, Banalidade do mal socioambiental

Resumo

Este artigo aborda e problematiza o lugar dos acidentes fatais na história da indústria carbonífera de Santa Catarina. Lançamos uma luz reflexiva sobre os acidentes nas minas de carvão com o objetivo primordial de demonstrar a irracionalidade e radicalidade da “banalidade do mal” socioambiental no “progresso” da economia do carvão. Descrevemos as características peculiares do trabalho nas minas de carvão explicitando algumas representações registradas em obras clássicas da literatura ocidental. Coletamos dados e informações em fontes documentais e bibliográficas, mas não tivemos a preocupação de organizar, quantitativamente, um quadro geral dos acidentes ocorridos na evolução histórica do setor carbonífero catarinense. Com base no manejo de ferramentas conceituais provenientes de Hannah Arendt e Bertrand Russel, estabelecemos uma analogia entre “campo de concentração” e “campo de mineração”, “economia do carvão” e “economia de guerra”. Organizamos os resultados de nossa pesquisa em quatro campos de observação/reflexão: a economia do carvão como uma economia de guerra; a cultura do carvão na literatura ocidental; a “banalidade do mal” por detrás das estatísticas dos acidentes; e as notícias contemporâneas de acidentes nas minas de carvão.

Biografia do Autor

Carlos Renato Carola, Professor-pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Extremo Sul Catari-nense (PPGE/UNESC)

Doutor em História pela USP

Giovani Felipe, Professor do Instituto Federal de Santa Catarina

Graduado em História pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) e Especialista em História do Brasil pela Universidade Cândido Mendes (UCAM)

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Publicado

2016-06-28