Família, trabalho e racionalização: a reconfiguração dos espaços de moradia em uma usina de açúcar nas décadas de 1960-1990

Marcos Lázaro Prado

Resumo


A gestão da força de trabalho assume diversas conigurações. De acordo com contextos especíicos, observa-se o surgimento de articulações em que a relação capital trabalho foi ampliada para além das condições objetivas. Um desses contextos foi aquele que se formou entre os anos 1960 a 1990 nas áreas produtoras de cana-de-açúcar do interior do estado de São Paulo, Brasil. Em uma das maiores usinas de açúcar e álcool do mundo – a Usina São Martinho – a concessão da moradia, a apropriação do trabalho familiar e a relação entre patrões e empregados assumiram uma lógica distinta, multifacetada, distante daquela comumente encontrada no universo das relações do mundo rural. O presente estudo é fruto de pesquisa de campo em que resgatamos a trajetória de trabalhadores cujas famílias se vincularam por gerações à usina. Buscamos evidenciar o caráter distinto das relações ali estabelecidas dentro de um recorte temporal especíico, a percepção dessas relações entre os trabalhadores e as razões que levaram ao seu inevitável desaparecimento.


Palavras-chave


Usinas de açúcar; Famílias de trabalhadores; Colônias de trabalhadores

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-9222.2018v10n19p83

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