A blusa e a urna: metamorfoses do associativismo de trabalhadores em Pernambuco entre o Império e a República

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DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2020.e71472

Resumo

A Liga Operária foi a primeira organização de Pernambuco a disputar eleições com uma pauta programática voltada aos interesses dos trabalhadores e seus candidatos eram representantes da classe operária. Isso ocorreu já no primeiro ano republicano. O acompanhamento da trajetória da Liga abarca um momento de transição na atuação política dos trabalhadores urbanos organizados. O novo regime, a abolição da escravidão e a difusão de ideais socialistas tangenciaram considerável renovação de símbolos (o orgulho em trajar a blusa proletária) e estratégias de ação política (a disputa pelas urnas) daquele grupo de trabalhadores. Para dimensionar os limites e possibilidades deste cenário, o presente artigo busca colocar em perspectiva a atuação pregressa dos membros da Liga pelo universo associativo da capital pernambucana – através de mutualistas, irmandades e sociedades abolicionistas. E, em um segundo momento, analisar a trajetória eleitoral do grupo.

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Biografia do Autor

Felipe Azevedo Souza, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Doutor em História Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Desenvolve estágio pós-doutoral no Programa de Pós-Graduação de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA) com bolsa PNPD-CAPES.

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Publicado

2020-03-24

Como Citar

SOUZA, F. A. A blusa e a urna: metamorfoses do associativismo de trabalhadores em Pernambuco entre o Império e a República. Revista Mundos do Trabalho, Florianópolis, v. 12, p. 1-18, 2020. DOI: 10.5007/1984-9222.2020.e71472. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/1984-9222.2020.e71472. Acesso em: 7 ago. 2022.

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Artigos