"Um mal necessário?": as amas de leite e o discurso médico-higienista nas últimas décadas do século XIX

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2020.e75213

Palavras-chave:

Amas de leite, Puericultura, Trabalho urbano

Resumo

O presente artigo propõe analisar os diferentes discursos em torno do ofício exercido pelas amas de leite contratadas pela Santa Casa de Misericórdia de Salvador nas últimas décadas do século XIX. A partir da documentação da Santa Casa e de periódicos, sobretudo a Gazeta Médica da Bahia e O Monitor, buscamos compreender o cotidiano e as estratégias de sobrevivência dessas trabalhadoras, em sua maioria pobres e “de cor”, no contexto do declínio do sistema escravista e da inserção do saber médico-higienista no cuidado à criança. O período foi marcado pelas constantes tentativas de regulamentação do trabalho dessas mulheres e da associação da prática da amamentação mercenária a um costume atrasado e retrógrado, que não condizia com os ideais de modernização propostos pelos médicos e autoridades.

 

Biografia do Autor

Alan Costa Cerqueira, Universidade Federal da Bahia

Mestre em História e doutorando em História Social pela Universidade Federal da Bahia - PPGH/UFBA

Maihara Raianne Marques Vitoria, Universidade Federal da Bahia

Mestra em História e doutoranda em História Social pela Universidade Federal da Bahia - PPGH/UFBA

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Publicado

2020-11-04

Edição

Seção

Dossiê 2020.2 - "Os mundos do trabalho e suas interfaces com a ciência, a saúde e a doença”