A menina que não se via brincar

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e108603

Palavras-chave:

História da infância, Infância racializada, Justiça e desigualdade

Resumo

Este artigo analisa um processo judicial envolvendo uma menina negra de dez anos chamada Maria, vítima de violências e negligência por parte de seus tutores informais, na cidade de Ribeirão Preto no ano de 1898. A análise do arquivo utilizou de uma metodologia histórico-documental e arqueogenealógica. A pesquisa investigou como o sistema de justiça daquele momento histórico tratava as infâncias pobres e negras, revelando a continuidade de práticas herdadas do regime escravocrata mesmo após a abolição legal. O estudo aponta para as percepções conferidas às divisões entre ‘criança’ e ‘menor’ e as consequências jurídicas, sociais e políticas dessa diferenciação. O caso demonstra a brutalidade sofrida por muitas crianças no período e também os limites da proteção institucional. Embora reconhecida como vítima, Maria não teve seus direitos garantidos, e o agressor foi absolvido. O estudo demonstra como discursos de abandono moral, material e de libertinagem trabalhavam para a criminalização e silenciamento dessas crianças. Esta pesquisa se insere no campo da história das crianças e das infâncias negras.

Biografia do Autor

Emerson Benedito Ferreira, Universidade de São Paulo

Doutor em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), SP, Brasil.

Anete Abramowicz, Universidade de São Paulo

Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, SP, Brasil (1998). Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1979), mestrado em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992) e . Em 2010 concluiu um estágio de pós-doutoramento de 13 meses no CERLIS (Centre de Recherche Sur Les Liens Sociaux) na Universidade Paris Descartes em Paris na área da Sociologia da Infância. Atualmente é professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, USP, Brasil. Tem experiência na área de Educação, com ênfase na Educação para a infância, atuando principalmente nos seguintes temas: criança e infância, sociologia da infância, diferenças, relações raciais, etárias e de gênero. Em 2010 recebeu a bolsa produtividade. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar de 2003 a 2005, foi coordenadora do Fórum dos Coordenadores de Pós-Graduação em Educação da ANPED e vice-coordenadora do GT de 0 a 6 anos da ANPED. Foi editora responsável da Revista Eletrônica de Educação (REVEDUC) de 2007 até 2017, atualmente é editora honorária. Membro do Comitê Científico editorial da Revue International de lÉducation Familiale. É Professora Titular aposentada da Universidade Federal de São Carlos. Representante da área da Educação no CNPq para os anos de 2024 a 2027.

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Publicado

2026-02-03

Como Citar

Ferreira, E. B., & Abramowicz, A. (2026). A menina que não se via brincar. Perspectiva, 44(1), 1–20. https://doi.org/10.5007/2175-795X.2026.e108603

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