Corpo infectado/corpus infectado: AIDS, narrativa e metáforas oportunistas

Anselmo Peres Alós

Resumo


A constante presença do corpo nas narrativas de aids (e a consequente problematização do
seu status ontológico) é apenas uma recorrência temática, ou estaria ligada a processos metafóricos e alegóricos que apontam para uma discussão para além da corporeidade humana? Mais do que isso, constantes em todas as narrativas de aids são a urdidura que confronta, simultaneamente, uma micropolítica do desejo, relacionada ao exercício ascético com a construção do si mesmo através da dicção literária (não raro extrapolando os limites entre ficção e biografia), e uma preocupação com os compromissos do discurso literário com a vida política e social de seus respectivos países de origem.


Palavras-chave


Narrativas de AIDS; Metáfora/Alegoria; Corpos contaminados

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DOI: https://doi.org/10.1590/1806-9584-2019v27n357771

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