Desafios para o professor de ciências e matemática revelados pelo estudo da BNCC do ensino médio

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1981-1322.2020.e73147

Palavras-chave:

Base Nacional Comum Curricular, Formação de professores de ciências e matemática, Ensino médio, Ciências da natureza e suas tecnologias, Matemática e suas tecnologias

Resumo

Este estudo tem por objetivo identificar e analisar os principais desafios docentes presentes nas habilidades das áreas de Ciências da Natureza e Matemática da Base Nacional Comum Curricular, levando-se em consideração a formação inicial de professores. É um estudo de cunho teórico com uma perspectiva documental, pois se apoia na análise da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio. O presente estudo, que surgiu a partir das reflexões realizadas na disciplina de Formação de Professores, no curso de Doutorado do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) da Universidade Federal do Pará (UFPA), pretende contribuir para a área de pesquisa de formação inicial e continuada de professores lançando um olhar sobre um documento sobre o qual ainda pouco se estudou, a BNCC do Ensino Médio, documento que é hoje a principal orientação curricular para esse nível de ensino. Pautada na proposta de desenvolvimento de competências e habilidades, a BNCC trouxe consigo grandes desafios para a formação inicial de professores de Ciências e Matemática. Em busca de identificar e discutir os principais desafios em cada uma dessas áreas de conhecimento, analisamos 23 habilidades relacionadas às Ciências da Natureza, distribuídas em três competências, e 45 habilidades da área de Matemática, distribuídas em cinco competências. Da análise das habilidades de Ciências da Natureza, destacamos três pontos fundamentais que consideramos grandes desafios para a formação de professores dessa área: a contextualização, a interdisciplinaridade e a capacidade de intervir diretamente na realidade, em problemas de ordem social, por intermédio da preposição de soluções. Por sua vez, da análise das habilidades da área de Matemática, evidenciamos a capacidade de interpretar e construir uma visão integrada da matemática aplicada à realidade, em diferentes contextos, levando em conta o avanço tecnológico que é exigido do mercado de trabalho.

Biografia do Autor

George Anderson Macedo Castro, Licenciado em Física pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFP

Licenciado em Física pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFP

Cláudia Fernandes Andrade do Espírito Santo, Licenciada em Matemática. Atualmente aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFPA

Licenciada em Matemática. Atualmente aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFPA

Rouziclayde Castelo Barata, Licenciada em Matemática. Atualmente aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFPA

Licenciada em Matemática. Atualmente aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) da UFPA

Saddo Ag Almouloud, UFPA

SADDO AG ALMOULOUD CONCLUIU O DOUTORADO EM MATHEMATIQUES ET APPLICATIONS - UNIVERSITE DE RENNES I EM 1992 - FRANCÇA. PROFESSOR DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO, E DA FUNDAÇÃO SANTO ANDRE. CONSULTOR AD HOC DA FUNDAÇÃO DE AMPARO A PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO , DA CAPES, BOLSISTA PESQUISADOR DE CNPq, FOI COORDENADOR DO PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA DA PUC/SP DE 2007 À 2009 E DE 01/08/2013 A 31/07/2017. ATUALMENTE É VICE-COORDENADOR DO REFERIDO PROGRAMA. FOI COORDENADOR DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA DA PUC/SP DE 2006 A 2017. PUBLICOU MAIS De 50 ARTIGOS EM PERIÓDICOS ESPECIALIZADOS E MAIS DE 83 TRABALHOS EM ANAIS DE EVENTOS. POSSUI 5 CAPÍTULOS DE LIVROS E 12 LIVROS PUBLICADOS. POSSUI 1 SOFTWARE E MAIS DE 62 ITENS DE PRODUÇÃO TÉCNICA. PARTICIPOU DE VÁRIOS EVENTOS NO EXTERIOR E MAIS DE 112 NO BRASIL. ORIENTOU MAIS 77 DISSERTAÇÕES DE MESTRADO E TESES DE DOUTORADO NA ÁREA DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA ENTRE 1996 E 2016. PARTICIPOU DE MAIS DE 200 BANCAS DE DEFESA DE DISSERTAÇÕES E DOUTORADOS. COORDENOU MAIS DE 5 PROJETOS DE PESQUISA. ATUALMENTE COORDENA 2 PROJETO DE PESQUISA. ATUA NA ÁREA DE EDUCAÇÃO, COM ÊNFASE EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA. É AVALIADOR DO PRÊMIO VICTOR CIVITA DESDE 2013. EM SUAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS INTERAGIU COM MAIS 70 COLABORADORES EM COAUTORIA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS. EM SEU CURRÍCULO LATTES OS TERMOS MAIS FREQUENTES NA CONTEXTUALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA E ARTÍSTICO-CULTURAL SÃO: ENSINO, APRENDIZAGEM, GEOMETRIA, EDUCAÇÃO MATEMÁTICA, MATEMÁTICA, DEMONSTRAÇÃO, ENSINO BÁSICO, FORMAÇÃO DE PROFESSORES, GEOMETRIA DINÂMICA, TIC

Referências

Alves, W. F. (2007). A formação de professores e as teorias do saber docente: contextos, dúvidas e desafios. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 33(2), 263-280.

Bittencourt, Eugênio Pacelli Leal. (2007). Avaliar para aprender: vivências de um professor reflexivo. Belém: EDUFPA.

Brasil. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988 (com redação atualizada).

Brasil. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

Brasil. (1998). Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental - Introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília, DF, 174 p.

Brasil. (2002a). Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio: Documento Básico. Brasília: MEC/Inep, 27 p.

Brasil. (2002b). Ministério da Educação. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Exame Nacional do Ensino Médio: Eixos Cognitivos do ENEM. Brasília: MEC/Inep, 108 p.

Brasil. (2002c). Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec). PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais – Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC/Semtec, 144p.

Brasil. (2012). Relatório Nacional PISA 2012: Resultados brasileiros. OCDE.

Brasil. (2017). Lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Que institui a política de fomento a implantação das escolas de ensino médio em tempo integral.

Brasil. (2018). Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília, DF: MEC. Recuperado de: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/BNCC_ EnsinoMedio_embaixa_site.pdf

Blomhøj, M. & Jensen, T. H. (2003). Developing mathematical modeling competence: Conceptual clarification and educational planning. Teaching Mathematics and its Applications, v. 22(3), 123-139.

Borssoi, Adriana Helena & De Almeida, Lourdes Maria Werle. (2015). Percepções sobre o uso da Tecnologia para a Aprendizagem Significativa de alunos envolvidos com Atividades de Modelagem Matemática. Revista Electrónica de Investigación en Educación en Ciencias, v. 10 2), 36-45.

Douady, R. (1986). Jeux de cadres et dialectique outil-objet. Recherches en Didactique des Mathématiques, v. 7(2), 5-31.

Durães, S. J. A. (2011). Aprendendo a ser professor(a) no século XIX: algumas influências de Pestalozzi, Froebel e Herbart. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 37(3), 465-480.

Duval, R. (1995). Semiosis et pensée humaine. Berne: Peter Lang.

Eco, U. El mago y el científico. El Pais, p. 13-14, 15 dez. 2002.

Fazenda, Ivani C. Arantes (org.). (1998). Didática e Interdisciplinaridade. Campinas- SP: Papirus.

Fourez, G. (2003). “Crise no Ensino de Ciências? Investigações em Ensino de Ciências, v.8(2).

Grandsard, F. (2005). Mathematical modeling and the efficiency of our mathematics. Recuperado de: http://math.ecnu.edu.cn/earcome3/sym4/Earcome3_Francine% 20Grandsard_ sym4.doc

Freire, P. (1999). Pedagogia da autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Julie, C. (2006). Mathematical literacy: Myths, further inclusions and exclusions. Pythagoras, v. 64, 62-69.

Malheiros, Ana Paula dos Santos. (2016). Modelagem em Aulas de Matemática: reflexos da formação inicial na Educação Básica. Perspectivas da Educação Matemática, v. 9(21).

Moreira, Plinio Cavalcanti. (2004). O Conhecimento Matemático do Professor: formação na licenciatura e prática docente na escola básica (Tese de Doutorado em Educação, Conhecimento e Inclusão Social). Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Pinheiro, N. A. M.; Matos, E. A. S. A. & Bazzo, W. A. (2007). Refletindo acerca da ciência, tecnologia e sociedade: enfocando o ensino médio. Revista Iberoamericana de Educação, n. 44, 147-165.

Robert. A. & Vandebrouck, F. (2014). Proximités-en-acte mises en jeu en classe par les enseignants du secondaire et ZPD des élèves: analyses de séances sur des taches complexes. Recherches en Didactique des Mathématiques, v. 34(2-3), 239-283.

Robert, A. (2008). La double approche didactique et ergonomique pour l’analyse des pratiques d’enseignantsde mathématiques. In Fabrice Vandebrouck (ed.) La classe de mathématiques: activités des élèves et pratiques des enseignants. (pp. 31-68). Toulouse: Octares.

Santo, C. A. E. (2018). O papel dos saberes não matemáticos na Modelagem Matemática: o estudo do cálculo do Imposto de Renda. (Dissertação de Mestrado em Educação em Ciências e Matemáticas). Universidade Federal do Pará, Belém.

Saviani, Dermeval. (2009). Formação de Professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. Revista Brasileira de Educação, v. 14(40), 143-155.

Schukajlow, S.; Kaiser, G. & Stillman, G. (2018). Empirical research on teaching and learning of mathematical modelling: a survey on the current state-of-the-art. ZDM - Mathematics Education, v. 50(1-2), 5-18. Doi 10.1007/s11858-018-0933-5.

Silva, Renata Lourinho da. (2019). Engenharia Didática Reversa como dispositivo de formação docente para a Educação do Campo. Apresentação do Relatório de Qualificação Doutoral (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática). Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará, Belém.

Villela, H. de O. S. (2005). Entre o saber e o fazer e a profissionalização – a escola normal do século XIX e a constituição da cultura profissional docente. In Miguel, M.E.B. & Corrêa, R.L.T. (Orgs.). -Campinas, SP. Autores Associados; Apoio CAPES/SBHE (Coleção Memória da Educação).

Wartha, Edson José; Silva, EL da & Bejarano, Nelson Rui Ribas. (2013). Cotidiano e contextualização no ensino de Química. Química Nova na Escola, v. 35(2), 84-91.

Thiesen, Juares da Silva. (2008). A interdisciplinaridade como um movimento articulador no processo ensino-aprendizagem. Revista Brasileira de Educação, v. 13(39).

Vergnaud G. (1991). La théorie des champs conceptuels. Recherches en Didactique des Mathématiques, v.10(2.3), 133-170.

Downloads

Publicado

2020-07-21

Edição

Seção

Artigos