Haroldo de Campos e a interpretação luciferina

Autores

  • Andrea Lombardi Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7968.2014v3nespp182

Palavras-chave:

Haroldo de Campos, Dante Alighieri, Teoria da tradução, Divina Comédia, Transcriação

Resumo

O caminho que Haroldo de Campos empreende em sua leitura de Dante Alighieri (Traduzir e Trovar e Pedra e luz na poesia de Dante) abre para uma leitura audaz da obra do fundador da língua e tradição cultural italiana. Traduzindo partes do Paradiso, ele invoca a metáfora da luz, que remete à visão de um grande intelectual medieval da época de Dante: Robert Grosseteste. Traduzir, para Haroldo, equivale a ler de forma hipercrítica, provocando uma desestabilização radical no texto. Tresler, tresluzir, transcriar, transparecer: são conceitos produto do agrupamento entre leitura/criação, luz e o prefixo trans ou três. Tresler, por ex., pode ter o significado de ler às avessas, mas também: “perder o juízo” ou “dizer tolices”. Há, portanto, um movimento vorticoso em diagonal ou “às avessas” típico de Haroldo de Campos, que salienta uma tensão entre o intelecto em Dante e o caminho místico, que a luz paradisíaca deixa transparecer. O que leva Haroldo a uma recuperação de Lúcifer (Satanás), de acordo com a etimologia “o que traz luz”, que segundo uma tradição popular, é dono da sabedoria superior, negada ao homem comum. Uma singular analogia com o Golem, da tradição hebraica.

Biografia do Autor

Andrea Lombardi, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Formação em Letras, Università degli Studi de Roma, "La Sapienza". Formação em Teoria Musical e Clarinete, Conservatorio di Musica "S Pietro a Maiella" de Nápoles. Doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo. Professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Letras, Departamento de Letras Neolatinas. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: lombardi.andrea@gmail.com

Downloads

Publicado

2014-10-30