A gênese do Princípio da Incerteza: uma análise histórico-epistemológica da correspondência Heisenberg-Pauli (1927)
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7941.2026.e111400Palavras-chave:
Princípio da Incerteza, Mecânica Quântica, História e Filosofia da Ciência, Correspondência Científica, Medição e ObservaçãoResumo
Este artigo investiga a gênese histórico-epistemológica do Princípio da Incerteza a partir da análise da correspondência científica entre Werner Heisenberg e Wolfgang Pauli, com ênfase na longa carta de 23 de fevereiro de 1927, imediatamente anterior à publicação do artigo em que o princípio foi formalmente apresentado. Em contraste com narrativas retrospectivas que tratam a incerteza como consequência direta do formalismo matemático da Mecânica Quântica, o estudo evidencia um processo gradual de elaboração conceitual, ancorado em reflexões operacionais sobre a medição, a redefinição do significado físico das grandezas clássicas e o papel da observação. A análise comentada da carta revela um estágio intermediário, no qual as relações de imprecisão aparecem como heurísticas vinculadas às condições de mensurabilidade, antes de sua estabilização discursiva como princípio geral no artigo publicado em 1927. A comparação entre a correspondência privada e o texto público permite identificar continuidades conceituais, deslocamentos epistemológicos e estratégias retóricas associadas à consolidação do princípio. Sustenta-se que a construção do Princípio da Incerteza pode ser melhor compreendida enquanto resultado de um processo coletivo e argumentativo, envolvendo intercâmbio epistolar, debates institucionais e controvérsias públicas, como as discussões da Conferência de Solvay de 1927. Ao enfatizar o papel das fontes primárias, o artigo contribui para uma compreensão historicamente informada da Mecânica Quântica e para a revisão crítica de interpretações excessivamente formalistas de seus fundamentos.
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