Ontologia(s) da violência no futebol: por um estudo (in)disciplinado de um fenômeno social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8042.2022.e84270

Palavras-chave:

Violência, Futebol, Práticas interdisciplinares, Ontologia

Resumo

Este ensaio desenvolve uma reflexão, de caráter ontológico, sobre os conflitos violentos envolvendo torcedores de futebol e discute a pertinência da abordagem interdisciplinar para o estudo dos mesmos. Para isso, em um primeiro momento, problematiza a noção de interdisciplinariedade a partir de questionamentos trazidos pelo antirealismo ontológico e discute as contribuições e limites dessa proposta para a compreensão da violência no futebol. Em seguida, argumenta a favor de uma abordagem (in)disciplinada de tal violência. Abordagem que não se limita a multiplicar os olhares sobre ela, mas multiplica suas formas de existir. Abordagem que reconhece a relevância de saberes locais e que busca examinar as práticas que transformam a violência no futebol em um objeto do conhecimento.

Biografia do Autor

Felipe Tavares Paes Lopes, Universidade de Sorocaba

Doutorado Universidade de Sorocaba, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, Sorocaba, Brasil

Mariana Prioli Cordeiro, Universidade de São Paulo

Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado e doutorado em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Realizou estágio doutoral na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB), no departamento de Psicologia Social, e pós-doutorado no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professora do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da USP.

Referências

ALABARCES, Pablo. Crónicas del aguante: fútbol, violencia y política. Buenos Aires: Capital Intelectual, 2012.

BRANDÃO, Ludmila de Lima. As Humanidades em face das Ciências; as poéticas em face dos métodos: provocações e desafios. RBPG, BrasÍlia, v. 31, n. 13, p. 321-340, fev. 2017. Disponível em: https://rbpg.capes.gov.br/index.php/rbpg/article/view/1173/pdf. Acesso em: 05 out. 2021.

CORDEIRO, Mariana Prioli; SPINK, Mary Jane P.La multiplicidad de la Psicología Social brasileña. Athenea Digital, v. 14, p. 289-300, 2014. Disponível em: https://www.atheneadigital.net/article/view/v14-n1-cordeiro-spink. Acesso em: 03 mai. 2022.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. (v. 2).

DESCARTES, René. Discurso do método. In: PESSANHA, José Américo Motta. Os pensadores – Descartes. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1999. p. 33-100.

GERGEN, Kenneth J.; GERGEN, Mary. Reflexiones sobre la construcción social. Barcelona: Paidós, 2011.

ÍBÁÑEZ, Tomás. O “giro linguístico”. In: IÑIGUEZ, Lupicinio (Coord.). Manual de Análise do Discurso em Ciências Sociais. Petrópolis: Vozes, 2004. p. 19-49.

ÍBÁÑEZ, Tomás. Municiones para disidentes: realidad-verdad-política. Barcelona: Gedisa Editorial, 2001.

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

HOLLANDA, Bernardo Buarque Borges de. Torcidas, hinchadas e barras: a problemática torcedora em escala global. In: HOLLANDA, Bernardo Buarque Borges de; AGUILAR, Onésimo Rodríguez. Torcidas organizadas na América Latina: estudos contemporâneos. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017. p. 11-64.

HOLLANDA, Bernardo Buarque Borges de. O clube como vontade e representação: o jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro (1967-1988). Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009.

GIULIANOTTI, Richard. Sociologia do futebol: dimensões históricas e socioculturais do esporte das multidões. São Paulo: Nova Alexandria, 2002.

GROSFOGUEL, Ramón. A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI. Revista Sociedade e Estado, Brasília, v. 31, n. 1, p. 25-49, jan.-abr. 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/se/a/xpNFtGdzw4F3dpF6yZVVGgt/?lang=pt. Acesso em: 05 out. 2021.

LATOUR, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à Teoria Ator-Rede. Salvador: EDUFBA, 2012.

LOPES, Felipe Tavares Paes. Narrativas sobre violência no futebol: (des)construindo a categoria “torcedor violento”. In: GIGLIO, Sérgio S.; PRONI, Marcelo W. (Org.). O futebol nas Ciências Humanas no Brasil. 1ed.Campinas: Editora Unicamp, 2020, v. 1, p. 687-701.

LOPES, Felipe Tavares Paes. Violência no futebol: ideologia na construção de um problema social. Curitiba: CRV, 2019.

LOPES, Felipe Tavares Paes; REIS, Heloísa Helena Baldy dos. A política nacional de prevenção da violência e segurança nos espetáculos esportivos: desafios e propostas. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 31, p. 195-208, 2017. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rbefe/article/view/141772. Acesso em: 03 mai. 2022.

LAW, John; MOL, Annemarie. Notas sobre el materialismo. Política y Sociedad, Madri, v. 1, n. 14, p. 47-57, 1994. Disponível em: https://revistas.ucm.es/index.php/POSO/article/view/POSO9394110047A. Acesso em: 05 out.2021.

MOL, Annemarie. The body multiple: ontology in medical practice. London: Duke University Press, 2002.

MURPHY, Patrick; WILLIAMS, John; DUNNNING, Eric. O futebol no banco dos réus. Oeiras: Celta Editora, 1994.

POMBO, Olga. Epistemologia da interdisciplinaridade. Ideação, Foz do Iguaçu, v. 10, n. 1, p. 9-40, 2008. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/ideacao/article/view/4141. Acesso em: 05 out. 2021.

REIS, Heloísa Helena Baldy dos. Futebol e Violência. Campinas: Armazem do Ipê, 2006.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista crítica de ciências sociais, Coimbra, n. 78, p. 3-46, 2007. Disponível em: https://journals.openedition.org/rccs/753#quotation. Acesso em: 05 out. 2021.

TEIXEIRA, Rosana da Câmara; LOPES, Felipe Tavares Paes. Reflexões sobre o “Projeto Torcedor” alemão: produzindo subsídios para o debate acerca da prevenção da violência no futebol brasileiro a partir de uma perspectiva sociopedagógica. Revista de Antropologia, v. 61, 2018, p. 130-161. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ra/article/view/152037. Acesso em: 03 mai.2022.

Downloads

Publicado

2022-05-30

Edição

Seção

Porta Aberta